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Planilha mostra que PCC reservou R$ 150 mil para matar PM e agentes em São Paulo

PCC planejou mortes de agentes e policiais do Estado de São Paulo

Uma planilha encontrada no computador de um membro do PCC (Primeiro Comando da Capital) mostra que a facção criminosa reservou R$ 150 mil para uma operação que visava matar policiais e agentes penitenciários de São Paulo.
Do total deste valor, pouco mais de R$ 133 mil já tinham sido gastos no monitoramento da rotina de um policial militar e dois carcereiros do sistema penitenciário paulista. 
"É possível perceber os altos gastos com telefones, celulares, viagens, hospedagem, aquisição de veículos e de equipamentos de informática, tudo para pôr em prática e executar a tal 'sintonia da inteligência'", afirma em denúncia oferecida à Justiça o promotor Lincoln Gakiya.

A intenção dos criminosos era simular latrocínios -- roubos seguidos de morte -- durante o assassinato das vítimas. Com a prisão dos suspeitos pela polícia, o plano foi interrompido antes de ser posto em prática. 
Tabela do PCC com gastos de monitoramento de agentes de SP.

Durante o planejamento, os suspeitos usaram "técnicas de inteligência" para escolher e levantar informações sobre os alvos. 

Reportagem veiculada pelo "Jornal da Band", em abril deste ano, mostrou que um dos suspeitos chegou a fazer um curso de detetive particular. Ele instalou câmeras em frente às casas de prováveis vítimas. Também havia fotos desse mesmo suspeito posando com armas em mãos.
No computador apreendido, a polícia encontrou fotos, mapas e informações sobre os alvos do PCC. Os criminosos sabiam inclusive que um deles estava em processo de divórcio da companheira. 

Belarmino, Henry e Melissa: agentes federais mortos pelo PCC.

Líderes do planos já estavam presos

Antes de colocarem em prática os planos de assassinato, quatro suspeitos foram presos em dezembro passado durante uma operação coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto do Gaeco do MP paulista (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo).
Em paralelo, o núcleo do Gaeco instalado na cidade de Presidente Prudente (distante 558 km de São Paulo) foi responsável pela denúncia contra os três líderes da operação. Eles já estavam detidos no presídio estadual de Presidente Venceslau -- distante 610 km de São Paulo.
O trio emitia ordens, por meio de cartas com trechos escritos em código, ao grupo que foi preso em Ribeirão Preto (315 km distante da capital paulista). Os trechos que estão em verde na carta abaixo são a escrita original (cifrada); em vermelho, a decodificação feita pela polícia paulista.
 "Segundo consta, em meados de 2016, os denunciados presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, agindo de comum acordo e identidade de propósitos, expediram ordens para que integrantes, em liberdade, da organização criminosa 'PCC – Primeiro Comando da Capital', da qual também fazem parte, fizessem levantamentos de endereços de agentes penitenciários, policiais civis, militares e outros agentes públicos do Estado de São Paulo, para o fim de executá-los", lê-se na denúncia de autoria do promotor Lincoln Gakiya.
De acordo com o promotor, os líderes eram responsáveis por liberar o dinheiro usado na operação e por dar o sinal verde para a morte dos alvos.

Sintonia restrita

O grupo preso em Ribeirão Preto foi um dos precursores da chamada "sintonia restrita". "Sintonias" são como são chamadas os diversos comandos do PCC.
O nome "restrito" vem do fato de que, quando o membro do PCC recebe esta tarefa, fica escalado exclusivamente para ela. São pessoas que, quando participam destas missões, tentam não falar pelo celular, para evitar rastreamento.
O assassinato de um servidor público, quando decidido pela cúpula do PCC, é considerado como "uma missão para aqueles que foram escolhidos a executar". 
"A sintonia restrita ou de inteligência é um escalão entre a cúpula e os executores. Em geral, os executores falam com a sintonia restrita [para receber ordens]. É quem aparece como mandante nas investigações, pela dificuldade de se chegar aos líderes", explica um procurador da República, que investiga a morte de agentes penitenciários federais a mando da facção criminosa.

PCC usa "inteligência" para matar agentes penitenciários federais

  • "Este grupo é formado por criminosos mais qualificados e que contam com a confiança com a cúpula do PCC. Eles usam técnicas de inteligência para cumprir as missões ordenadas pela facção", explica Gakiya.
O promotor paulista confirmou que uma das prioridades das autoridades de Segurança Pública é a de identificar e prender os integrantes da restrita.

A sintonia restrita é um grupo criado recentemente pelo PCC, subordinado diretamente à cúpula da facção. Seus integrantes se desvinculam da chamada "sintonia geral" e ficam subordinados à "sintonia geral fora do ar", o que indica que deixaram de exercer as atividades normais do PCC, a exemplo do tráfico de drogas. Eles não precisam pagar a "cebola", a mensalidade obrigatória para membros da facção. "Eles não falam com qualquer um da organização. Por isso é tão difícil localizá-los", afirmou ao UOL uma fonte ligada às investigações no âmbito federal.

Fonte BOL

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