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Gravação mostra pai de Bernardo falando sobre a morte da ex-mulher

Leandro Boldrini diz que Odilaine levou arma à clínica onde ele trabalhava.
Já na prisão, ele conta que não viu o momento em que ex-mulher deu tiro.


O cirurgião Leandro Boldrini, preso preventivamente pela morte do filho Bernardo no Rio Grande do Sul, deu sua versão sobre a morte da ex-mulher, Odilaine Uglione, em 2010. Em gravação feita quando o médico já estava na prisão, mostrada com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, Leandro diz que Odilaine levou uma arma até a clínica onde o então marido trabalhava em Três Passos, Noroeste do estado, e apontou para ele (confira no vídeo).
"Ela sacou a arma de dentro da bolsa que ela tinha no colo, com a mão direita. Ela olhou para mim e apontou a arma nos meus olhos. Pensei: ‘pá, morri’", conta o médico.
Leandro Boldrini caso Bernardo Boldrini RS (Foto: Reprodução/TV Globo)Leandro Boldrini falou sobre morte da ex-mulher na
prisão (Foto: Reprodução/TV Globo)
À época, a investigação da Polícia Civil concluiu que a mulher se suicidou, fato contestado pela defesa da avó materna do menino, Jussara Uglione. O médico, no entanto, diz não ter visto o que aconteceu depois que teve a arma apontada para si. "Procurei me abaixar e saí pelo lugar onde eu tinha entrado, e realmente escutei o estampido. Achei que tinha acertado em mim", afirmou.
O corpo de Bernardo foi achado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, no noroeste do estado, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além de Boldrini, são réus no processo a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga Edelvânia Wirganovicz e o irmão Evandro Wirganovicz. Eles estão presos e respondem pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Caso Bernardo (Foto: Reprodução)Leandro era carinhoso com a mulher, mas
provocava Bernardo (Foto: Reprodução/TV Globo)
O advogado da avó de Bernardo, Marlon Taborda, vai pedir a reabertura das investigações sobre o suicídio da mãe da criança. Taborda foi motivado a fazer o pedido após a divulgação de um vídeo que mostra uma briga entre a criança, o pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini. As imagens foram recuperadas pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) do celular de Leandro.
Na gravação, Bernardo discute com o pai e com a madrasta quando eles falam sobre Odilaine.
Leandro: Eu sei que tua mãe é o máximo para ti. Mas simplesmente, ela te abandonou.
Bernardo: Ela não me abandonou. Tomara que tu morra! E essa coisa que morra junto!
Leandro: Tu vai ir antes. Doente do jeito que tu tá desse jeito. Teu fim vai ser igual ao da tua mãe.
Para o advogado, Graciele dá a entender que Odilaine foi assassinada. “Houve uma confissão da morte da Odilaine, que o Bernardo vai ter o mesmo fim que a mãe”, afirma Marlon. A polícia não informou se vai reabrir o caso.
Carinhoso com a mulher
Obtido com exclusividade pelo Fantástico, um novo vídeo mostra um casal apaixonado. Graciele e Leandro estão juntos em uma praça. “É a praça do amor, né?”, questiona a madrasta de Bernardo, sorrindo, com uma cuia de chimarrão na mão. Leandro concorda. Treze dias depois da gravação, o menino foi morto.
A polícia diz que, com a mulher Graciele, Leandro era carinhoso. Porém, um vídeo gravado em junho de 2013 mostra que a atitude com o filho era diferente. Leandro provoca várias vezes a criança nas imagens.
Leandro: Baixa esse facão, rapaz.
Bernardo: Não.
Bernardo: Então, para o vídeo. Senão, não vou parar.
Leandro: Eu mando em você. Eu mando. Baixa isso aí.
Na terça-feira (26), testemunhas começaram a ser ouvidas pela Justiça. Foi quando novos vídeos sobre o caso começaram a aparecer. O pai de Bernardo tinha apagado as gravações do celular, mas a perícia conseguiu recuperá-las. Em alguns trechos, só existe áudio. "Socorro. Meu pai me agrediu. Socorro", grita o menino.
A polícia acredita que Leandro e Graciele fizeram as filmagens com a intenção de mostrar para a Justiça que Bernardo tinha um comportamento agressivo. Seria uma forma de se defender, já que nos vídeos, o menino fala várias vezes que vai denunciar o casal.
Graciele: Quer o telefone emprestado para denunciar?
Bernardo: Sim.
Graciele: Ah... (risos)
Bernardo: Empresta. Empresta.
Graciele: Quer denunciar, se vira. Não empresto. Te vira.
Mas, para a acusação, os vídeos acabaram incriminando os dois. "Os gritos do Bernardo demonstram como ele era tratado dentro de casa. Tratado com ódio", afirma Marlon Taborda, advogado da avó materna de Bernardo.
'Estresse máximo', diz especialista
"É uma situação de estresse máximo, onde nós temos uma criança acuada, que está em franco desespero, desamparo", comenta Jair Mari, professor do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mari avalia que a atitude do pai de Bernardo deveria ser diferente. "Estamos observando tudo aquilo que não deve ser feito. Estimulando a humilhação e não o acolhimento, que seria em falar: ‘se acalma. O papai está aqui. O papai ama você’", explica.
O professor do Departamento de Psiquiatria da UFRGS Luís Augusto Rohde explica como o pai de Bernardo deveria agir nesta situação. "É importante em situações que a criança está descontrolada poder abraçá-la, poder contê-la, poder mostrar que alguém que a ajude a se controlar", destaca.
GNews - Menino Bernardo (Foto: globonews)Bernardo Boldrini foi encontrado morto em uma
cova  (Foto: Reprodução)
Entenda 
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No dia 6 de abril, o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. No dia 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado. Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem de um sedativo e depois enterrado em uma cova rasa, na área rural de Frederico Westphalen.
O inquérito apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Ainda conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que tal crime ficasse impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro.
Do G1 RS

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