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'Detentos não entraram em contato', diz Coape sobre greve de fome no RN

Coordenadora do sistema penitenciário não recebeu nenhuma reivindicação.
São 2.500 presos protestando em 8 presídios; motivo ainda é mistério.


Dinorá Simas, diretora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz/RN (Foto: Ricardo Araújo/G1)Coordenadora do sistema penitenciário, Dinorá não
recebeu reivindicações(Foto: Ricardo Araújo/G1)
A Coordenadoria de Administração Penitenciária (Coape) não recebeu nenhuma reivindicação dos presos que estão em greve de fome desde a manhã desta segunda-feira (1) em pelo menos oito unidades prisionais do Rio Grande do Norte. A coordenadora do sistema penitenciário, Dinorá Simas, conta não ter recebido nada formalmente. "Por enquanto estamos sabendo de suposições, mas não podemos falar nada. Estamos apurando o motivo da greve de fome", diz.

Dinorá acrescenta que os presos não aceitaram nenhuma das refeições nesta terça-feira (2). A coordenadora esteve reunida com diretores de presídios do estado e ficou definido que o procedimento será o mesmo adotado na segunda. "O dia foi tranquilo e não houve tumulto. Estamos esperando o contato deles", conta.

Segundo levantamento feito pelo G1, com base nos dados repassados pela própria Coape e diretores dos presídios - os presos não querem comer na Penitenciária de Alcaçuz - que fica em Nísia Floresta; no Presídio Rogério Coutinho Madruga, conhecido como Pavilhão 5 de Alcaçuz; na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP); na Cadeia Pública de Natal; na Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó; no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ceará-Mirim. Juntas, as unidades possuem cerca de 2.500 apenados.
Situação
Durante o primeiro dia de greve de fome, na Penitenciária de Alcaçuz, maior unidade prisional do estado, dos quatro pavilhões onde estão encarcerados 900 detentos, três aderiram à greve, totalizando 550 presos sem se alimentar. Os presos costumam fazer quatro refeições por dia em Alcaçuz. É servido pão e café pela manhã e à noite, enquanto as quentinhas são distribuídas no almoço e jantar. "Para não perder tudo, redistribuímos a comida com os 350 presos que estavam comendo normalmente", explicou o diretor da unidade, Ivo Freire, que pretende visitar os pavilhões nesta terça para apurar o motivo da greve de fome. Nesta terça, os detentos de um dos pavilhões em greve de fome voltaram a se alimentar.

Enquanto isso, na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz, 350 dos 400 presos se mobilizaram na segunda. Com isso, cerca de 700 quentinhas servidas no almoço e jantar desta segunda estragaram. O diretor da unidade, Osvaldo Rossato, não recebeu reivindicações. "Não temos notícia do que seja", afirma.
Penitenciária Estadual de Alcaçuz (Foto: Ricardo Araújo/G1)Penitenciária Estadual de Alcaçuz
(Foto: Ricardo Araújo/G1)
O diretor da Penitenciária Estadual de Parnamirim, Durval Oliveira Franco, informou que também não houve registro de tumulto entre os 497 presos da unidade. "Os dois pavilhões evitaram as refeições o dia todo. O movimento foi silencioso. As quentinhas se perderam todas", relata.
Na Cadeia Pública de Natal, a solução encontrada pelo diretor Eider Pereira de Brito foi doar as refeições para bairros periféricos da cidade. "Os 400 detentos dos dois pavilhões aderiram. Já doamos as sobras para comunidades carentes", disse.

De acordo com o vice-diretor da Penitenciária do Seridó, Ednaldo Cândido Dantas, a maior parte da comida estragou. "A carne deu para colocar no freezer e evitar o desperdício", conta. Na unidade, 310 dos 470 apenados não aceitaram as refeições. Participam da greve de fome os detentos dos dois maiores pavilhões da penitenciária, que possui um total de cinco pavilhões.
Já no CDP de Ceará-Mirim, segundo Dinorá Simas, 50 presos estão sem comer.
Do G1 RN

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