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Sem segurança, comerciantes pagam até R$ 2 mil a policiais no Piauí

Dinheiro vai para estadia e alimentação dos policiais da Força Tática.
Cidade de São Miguel do Tapuio vive com insegurança após assalto ao BB.


Após dois meses do fechamento da única agência bancária de São Miguel do Tapuio, no Norte do Piauí, a quantidade de dinheiro circulando na cidade ficou limitado e os comércios viraram alvo dos bandidos, especialmente por terem caixas eletrônicos nos estabelecimentos. Assustados com a violência, os comerciantes se uniram e resolveram pagar policiais militares para garantir a segurança.
O grupo de doadores somam 55 pessoas, as contribuições variam de R$ 30 a R$ 100 e o valor total arrecado chega, em média, a R$ 2 mil. O dinheiro vai para estadia e alimentação dos policiais militares da Força Tática, que vem de Campo Maior, e trabalham nos dias de folga. "Não é uma obrigação nossa, mas devido a situação que está a segurança pública, nós decidimos tomar esta atitude para não ficarmos a mercê dos bandidos", explicou o comerciante Cleiton Martins.
O problema começou no dia 28 de maio deste ano, quando o Banco do Brasil da cidade foi alvo de assaltantes. Depois disso, a agência nunca mais funcionou regulamente, sendo que a quantidade de dinheiro liberada pelo banco é limitada. Sem dinheiro, as vendas caíram 70% e os moradores recorrem aos pontos comerciais onde há caixas eletrônicos.
O município de São Miguel do Tapuio tem 19 mil habitantes e fica na divida do Piauí com Ceará, o que facilita a ação e a fuga dos bandidos. O clima é de insegurança na região.
Assaltado 10 vezes, o empresário Francisco Neto lamentou a situação de insegurança e contou sobre que a última ocorrência aconteceu dentro da sua residência. "Entrar na minha casa hoje é uma das piores sensações que existe. Vivo agora gradeado, é muito triste", comentou.
Há três meses os aposentados não conseguem sacar o dinheiro da Previdência Social, muitos moradores procuram outras cidades para realizar transações bancárias e evitar as filas. "Tudo morrendo de fome, compro as coisas fiado para escapar", lamentou o aposentado Francisco José Filho,
Os servidores públicos também têm dificuldade para receber o salário. "Nós professores estamos indo para Valença, Pimeteiras correndo risco de serem assaltos no caminho. Quando vem para a agência da cidade, esperamos até três horas para ser atendido e quando dá Às 10h, já tem dinheiro no caixa", contou Francisco Almeida.
O chefe de gabinete de São Miguel do Tapuio, Gilmar Marques, disse ter acionado a assessoria jurídica para que ela estude uma possibilidade legal de a prefeitura fazer um repasse de R$ 2.450 para ajudar no pagamento dos policiais. Ele ressaltou ainda que a cidade conta com nove policiais militares, mas que esse efetivo não é suficiente.
O comandante da Polícia Militar, coronel Lídio Filho, responsabilizou o Banco do Brasil pela falta de segurança nas agências e elogiou a atitude dos comerciantes de São Miguel do Tapuio. "A população está certa e tem todo o meu apoio. O que nos entristece é um banco, uma instituição tão rica, não cuidar da sua segurança. A Polícia Militar do Piauí não pode trabalhar só para o banco, e ele não ajuda em nada. A vigilância do Banco do Brasil é feita por uma empresa no Ceará e eles querem que a PM faça a segurança. E a população como fica?", declarou.
O Banco do Brasil informou que cumpre a legislação e as normas de segurança privada, tendo inclusive os planos de segurança das suas agências homologadas pela Polícia Federal.
Do G1 PI

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