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Roger Abdelmassih chega ao presídio de Tremembé, SP

Ex-médico estava foragido havia três anos e foi preso no Paraguai.
Ele é condenado a 278 anos de prisão por 48 ataques a 37 mulheres.


O ex-médico Roger Abdelmassih chegou às 18h40 desta quarta-feira (20) na penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, no interior de São Paulo. É a segunda vez que ele vai para esse presídio, onde chegou a ficar preso por quatro meses em 2009.
Abdelmassih, de 70 anos, estava foragido havia três anos e foi preso na noite de terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Ele foi preso por agentes ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do governo paraguaio com apoio da Polícia Federal brasileira. 
A P2 de Tremembé abriga 451 presos, mas tem capacidade para 408, segundo informações da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo. Entre os detentos do local estão Alexandre Nardoni, acusado pela morte da filha Isabela, e Lindemberg Alves, que matou a namorada.
O ex-médico era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Após sua condenação e fuga, passou a ser um dos criminosos mais procurados pela Polícia Civil do estado de São Paulo.
Reação
Roger Abdelmassih chegou à P2 após passagem pelo Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, onde saiu por volta das 16h40 escoltado por policiais. Ao desembarcar em São Paulo, ele foi recebido com gritos de revolta por vítimas de abuso sexual. Uma mulher tentou furar o cerco policial para agredi-lo.
Yvany Serebenic, empresária (Foto: Reprodução/Globo News)Vítima Yvany Serebenic, empresária
(Foto: Reprodução/GloboNews)
As vítimas e curiosos aguardaram perto da delegacia da Polícia Civil em Congonhas. Um cordão de isolamento foi montado para deixar um corredor livre para a passagem do preso.Algumas subiram em cadeiras para ver a passagem do ex-médico e acompanhar a movimentação policial.
Ele também foi hostilizado na saída, após ter feito exames de corpo de delito. Em Congonhas, o ex-médico também passou pelos trâmites burocráticos que oficializaram sua prisão. Durante a conversa com os policiais, o ex-médico chorou ao ser perguntado pela polícia se tem filhos, segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.
O ex-médico Roger Abdelmassih (c), de 70 anos, que foi recapturado na cidade de Assunção, no Paraguai, chega ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, na tarde desta quarta-feira, 20. Ele passa por exames de corpo delito e, depois, deve seguir  (Foto: Foto: WILLIAM VOLCOV/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)Ex-médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, que
foi recapturado no Paraguai, chega ao Aeroporto de
Congonhas (Foto: WILLIAM VOLCOV/BRAZIL PHOTO
PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)
Apoio de políticos
Para conseguir viver no anonimato, ostentando luxo e desfrutando de conforto, o brasileiro contava com apoio de uma rede local de proteção que incluiu políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais de futebol, segundo o ministro antidrogas do Paraguai, Luis Alberto Rojas.
Apesar de ter feito o apontamento, a autoridade local não quis revelar nomes para não atrapalhar as investigações, que agora deverão ser comandadas pelo Ministério Público do Paraguai e pelo órgão responsável pela imigração do país. Ele tinha babás, chofer, seguranças, frequentava restaurantes caros e exclusivos com a mulher e usava o nome Ricardo. Rojas também afirmou que Abdelmassih morava em uma casa luxuosa em um bairro nobre da capital paraguaia, pela qual pagava um aluguel de US$ 2,5 mil.
Casa onde vivia Roger Abdelmassih enquanto estava foragido em Assunção, no Paraguai (Foto: Glauco Araújo/G1)Casa onde vivia Roger Abdelmassih enquanto
estava foragido em Assunção, no Paraguai
(Foto: Glauco Araújo/G1)
"Tivemos a rapidez de conseguir a expulsão dele de imediato, pois ele estava sem os documentos pessoais e havia um pedido de prisão contra ele. A velocidade da expulsão, que ocorreu dentro da lei, poderia prejudicar o julgamento dele pelos crimes que ele cometeu no país dele. Ele tem contatos influentes, tanto no Brasil como no Paraguai, muito influentes, desde políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais do futebol", disse o ministro.
Novas vítimas
A Polícia Civil de São Paulo pretende interrogá-lo sobre mais 26 ex-pacientes que o acusam de estupro. Além disso, a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na capital paulista, quer ouvi-lo sobre crimes envolvendo manipulação genética irregular que ele teria cometido. Quatro pacientes relatam ter tido problemas na gestação ou má-formação dos filhos após se submeterem a tratamento na clínica que ele mantinha.
O médico Roger Abdelmassih desembarca no Aeroporto de Congonhas, Zona Sul de São Paulo, após ser preso no Paraguai (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)Roger Abdelmassih desembarca no Aeroporto de
Congonhas (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press
/Estadão Conteúdo)
Além disso, o ex-médico é investigado por crimes previstos na Lei 11.105 de 2005 de Biosegurança. “Quatro dessas mulheres, ex-pacientes, relataram problemas. Uma teve um filho com síndrome de Edwards [que causa má-formação no coração, cabeça e pés], outra com síndrome de Down, e duas contaram sobre abortos”, afirmou Celi. “Coisas graves como abortos em série e feto que morreu e a mulher viveu meses com ele na barriga sem que o então médico quisesse retirar”, conta a delegada.
Esse é o segundo inquérito por estupro que Roger responde na DDM em São Paulo. O primeiro, que apurava também atos libidinosos, resultou na condenação dele na Justiça em 2010 a uma pena de 278 anos de prisão por 48 ataques a 37 mulheres entre 1995 e 2008. Todos os inquéritos estão sob segredo judicial para preservar a identidade das vítimas.
O ex-médico sempre alegou inocência. Chegou a dizer que só ‘beijava’ o rosto das pacientes e vinha sendo atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos". Mas, em geral, as mulheres o acusaram de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas - sem o marido ou a enfermeira presente.
Algumas disseram ter sido molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica de fertilização também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.
Em nota, os advogados Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima afirmaram que a defesa "aguarda o julgamento da apelação interposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo" contra a decisão que o condenou.
A defesa alega que, por isso, a sentença não transitou em julgado. "No tocante a sua prisão, a defesa não irá se manifestar", informaram em nota.
    Roger Abdelmassih é fotografado pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Foto: Ho Senad/AFP)
    Roger Abdelmassih é fotografado pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Foto: Ho Senad/AFP)

    Do G1 do Vale do Paraíba e Região

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