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'Há risco para o consumidor', diz Mapa sobre leite contaminado no RS

Superintendente avalia que é impossível recolher todos lotes suspeitos.
Inspeções encontraram álcool etílico, mas empresas negam irregularidades.


Desde 2013, MP vem fazendo operações para
coibir adulteração no leite produzido no
Rio Grande do Sul (Foto: Felipe Truda/G1)


Apesar da ordem para recolher todos os lotes de mais de 100 mil litros de leite contaminados por álcool etílico, consumidores correm o risco de encontrar os produtos irregulares à venda no comércio do Rio Grande do Sul. A avaliação é do superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no estado, Francisco Signor. Segundo ele, é tecnicamente impossível rastrear e retirar do mercado a totalidade de produtos considerados impróprios para o consumo.
"Apesar do recolhimento, há risco, sim, para o consumidor. Porque tem como rastrear o atacado e saber quem comprou. Porém, há muitos donos de estabelecimentos pequenos que compram no próprio supermercados para revender. Nesses casos, não há como haver controle", explicou Signor ao G1, ressaltando que o risco seria real apenas em mini-mercados.
O recolhimento cautelar foi determinado pelo Mapa após inspeção de rotina feitas em junho e julho detectar álcool em leite um produto derivado. Não se trata de uma nova edição da Operação Leite Compensado, do Ministério Público (MP). A media atinge lotes de leite UHT integral da marca Piá, fabricados em 26/06/2014 e com data de validade até 26/10/2014 (lotes L02/2 e L2-3) e do lote de requeijão light (200g) fabricado em 30/06/2014 e com data de validade até 30/09/2014 (lote L2).
Em nota, a Piá garantiu que análises internas e externas feita em um laboratório credenciado pelo Mapa do mesmo lote não constataram irregularidades nos produtos. A empresa garantiu, também, já ter tomado providências para recolher os dois produtos do mercado.
De acordo com o Mapa, desde 15 de julho, o posto de refrigeração da Piá em Vila Flores, na serra gaúcha, foi interditado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) após álcool etílico ser encontrado em amostras de leite cru refrigerado. Em nota, o Mapa ressaltou que "a presença da substância no leite é considerada fraude, pois mascara a adição de água". O posto, porém, retornou às atividades no dia 21 do mesmo mês, após implantar ações corretivas.
Questionado sobre o motivo para o fato só ter sido divulgado nesta segunda-feira (4), apesar da identificação em julho, o superintendente do Mapa argumentou que a superintendência não tem a obrigação de divulgar informações do gênero.

"Para nós, é rotina fazer essa fiscalização. E não está previsto que a gente precise espalhar para fora. Mas as pessoas não fazem ideia da quantidade de leite que é distribuído. Enquanto isso, nos ultimos 10 dez anos, o leite melhorou 80%. Principalmente agora que estamos apertando e fiscalizando. As operações do Ministério Público contribuíram para isso", disse Signor.
'Má-fé', diz Ministério Público
Desde 2013, o MP já desencadeou por seis vezes a Operações Leite Compensado no Rio Grande do Sul, que identificou o uso de formol para fraudar o leite. Na ocasião, as investigações apontaram que transportadores estavam adicionando água e ureia (que contém formol) ao leite cru para aumentar o volume e disfarçar a perda nutricional no caminho entre a propriedade rural e a indústria. O esquema era realizado em postos de resfriamento.
Nesta terça, o MP revelou que além da Piá, a empresa Santa Clara também é investigada após álcool etílico ser detectado em lotes de leite tipo pasteurizado (de saquinho), com validade até junho deste ano.
De acordo com nota oficial divulgada pela Santa Clara, os leites recebidos estão todos em condições de consumo e com processamento adequado. Conforme a cooperativa, o lote avaliado era de um posto de resfriamento de Veranópolis, da mesma região da empresa, e foi testado, não sendo constadadas irregularidades.
A promotoria de Defesa do Consumidor acredita que a presença de álcool etílico encontrada em lotes de leite UHT e requeijão light de uma cooperativa gaúcha pode ser resultado de uma ação de "má fé". Conforme o promotor Alcindo Luz Bastos Silva Filho, o MP está investigando o caso no âmbito criminal também. Segundo ele, a descoberta da substância, ao contrário das Operações do Leite Compensado deflagradas ao longo de 2013 e deste ano, é resultado da falta de controle.
"Estamos avaliando questões de má-fé. Sabemos que, em um primeiro momento, não há geração espontânea de álcool, conhecendo a cadeia do leite. Então, é provável que houve contaminação. Vamos atrás da punição dos responsáveis", afirmou o promotor em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta terça-feira (5).
Conforme o promotor, a maioria dos produtos já foi retirada do comércio. "Quase tudo foi retirado das prateleiras. Pelas informações que recebemos do Mapa, a fabricação foi 10 de junho e, como estamos em agosto, boa parte desse produto estava no mercado com validade até outubro", pontuou Alcindo. Ele completa que a indústria é a primeira responsável pela fiscalização dos produtos.
Já para o Sindicato das Indústrias de Laticínios o controle é rígido, mas ainda precisa de mudanças nos processos. "Ainda não está identificado o que ocorreu nesse lote. Estamos identificando o caso, aguardando laudo do laboratório oficial. O teste alizarol [para verificar acidez no leite] é uma questão premeditada. Deveria ter a comunicação oficial do laboratório para que esse leite não fosse ao mercado. Deveria ser preventivo. Mas, posso afirmar que efetivamente a indústria gaúcha tem identificado e investido valores pesados em controle", afirmou o secretário-executivo do sindicato Darlan Pagliarini.
Do G1 RS

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