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Procuradoria geral vai decidir se PMs do caso Cláudia irão a Júri

MP recomendou que o caso seja julgado apenas pela Justiça Militar.
Juiz discordou do parecer e encaminhou o caso para o procurador-geral.


Cláudia Silva Ferreira foi atingida por bala perdida no Morro da Congonha, em Madureira, no Rio (Foto: Mariucha Machado/G1)Cláudia Silva Ferreira foi atingida por bala perdida no Morro da Congonha, em Madureira, no Rio, e depois foi arrastado pelo carro da PM que a conduziria a um hospital (Foto: Mariucha Machado/G1)
Caberá à Procuradoria Geral de Justiça decidir se os seis policiais militares envolvidos na morte Cláudia Silva Ferreira serão julgados ou não pela Justiça comum. A auxiliar de serviços gerais foi arrastada por um carro da PM depois de ser baleada em operação policial no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte do Rio.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o Ministério Público emitiu parecer considerando que o caso deve ser encaminhado à Auditoria da Justiça Militar. Para o MP, o crime cometido pelos policiais seria equivalente a uma falha no trabalho, e não um crime contra a vida. Por isso, entendeu que não é competência do Tribunal do Júri julgar o caso.
Por sua vez, o juiz do Terceiro Tribunal do Júri, Murilo Kieling, se mostrou contrário ao posicionamento do MP. Segundo o TJRJ, o magistrado argumentou que o afastamento da competência do Tribunal do Júri só pode se dar quando a prova for indiscutível. Para o magistrado, o caso deve sim ser julgado pela Justiça comum e, por isso, encaminhou, na sexta-feira (8), o processo ao procurador-geral, que irá definir o andamento do processo.

Em liberdade e trabalhando
Os seis policiais foram presos em flagrante e cumpriram prisão temporária. Depois de ganharem a liberdade, todos voltaram a trabalhar na PM, porém, em atividades internas e administrativas.
Alexandre Fernandes da Silva, viúvo de Cláudia Ferreira da Silva, se diz inconformado com a perda. (Foto: Mariúcha Machado / G1). (Foto: Mariúcha Machado / G1)
Ao G1, o viúvo de Cláudia, Alexandre Fernandes da Silva disse, em abril, ter medo de vingança. "Se a gente já tinha medo de ficar andando por lá depois do que aconteceu, agora muito mais. Não sei o que esses caras podem fazer soltos. Só sei que para lá eu não volto", falou Alexandre ao saber que os PMs haviam sido soltos. "É um sentimento de impunidade. Eles podem matar, fazer o que for, que não são punidos", desabafou à época. Ele foi para outra comunidade, em local não revelado.

Em abril, quando os policiais retornaram ao trabalho, a PM informou que Rodney Archanjo, Adir Machado e Alex Sandro Alves – que estavam no carro que arrastou Cláudia – e Gustavo Meirelles – que participou da operação na Congonha – continuaram trabalhando no 9º BPM (Rocha Miranda). Já Ricardo Boaventura e Zaqueu Bueno foram transferidos para o 3º BPM (Méier) e 41º BPM (Irajá), respectivamente. Eles também participaram da operação, mas não estavam no carro que arrastou a moradora.
Policiais somam 16 homicídios
Dois dos três policiais militares que foram presos por terem Claudia, de 38 anos, possuem registros de homicídio decorrente de intervenção policial. A informação foi divulgada pela Polícia Civil. O subtenente Adir Serrano Machado consta como autor em 13 homicídios, já o subtenente Rodney Miguel Archanjo possui três registros de homicídio e o sargento Alex Sandro da Silva Alves não possui nenhum registro como autor.
Entenda o caso
A Polícia Militar realizou uma operação no Morro da Congonha no fim de março. Segundo a PM, na chegada dos policiais houve troca de tiros. Os moradores negam que tenha ocorrido confronto com supostos traficantes. Cláudia foi baleada por volta das 8h, quase três horas depois da chegada dos policiais na favela, enquanto andava para comprar pão.
Cláudia Ferreira foi colocada dentro do carro da PM na Rua Joana Resende, no alto do morro da Congonha. A viatura seguiu até o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, num percurso de nove quilômetros, que podia ser feito, em média, em cerca de 13 minutos.
O vídeo de um cinegrafista amador mostrou o momento em que o carro da PM seguia pela Estrada Intendente Magalhães. A porta traseira estava aberta e Cláudia foi arrastada no asfalto por 350 metros. Os PM param e ela foi jogada de volta no porta-malas.
Do G1 Rio

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