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PMs dizem que liberaram jovem após abordagem; rapaz está desaparecido

Coronel da PM disse que ação não seguiu os padrões da corporação.
Rapaz de 22 anos não é visto há 12 dias.



Os PMs envolvidos na abordagem de Geovane Mascarenhas de Santana, que desapareceu após a ação policial em 2 de agosto, disseram, em depoimento, que liberaram o rapaz após a fiscalização, em Salvador. A informação foi passada pelo diretor de comunicação da Polícia Militar, Coronel Gilson Santiago.
"Eles disseram que, não verificando a responsabilidade sobre o fato criminoso que tinha sido objeto da diligência, eles resolveram liberar o cidadão e, inclusive, com a moto", afirma o coronel.
Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança de um prédio do local da abrodagem.
Segundo a PM, a abordagem policial teria sido solicitada por um telefonema feito à Central de Polícia e que, em depoimento, os policias disseram que Geovane foi levado à delegacia do bairro da Lapinha e liberado em seguida, com a moto.
Jurandy Silva Santana, pai de Geovane, lamenta a situação. "É muita tristeza, porque não tenho uma resposta sobre meu filho. Eu espero alguma resposta, para a gente ter um desfecho desta situação. Para eu ter meu filho de volta vivo ou morto, e a gente seguir as nossas vidas", desabafa.
A delegada Patrícia Crisóstono, entretanto, diz que ainda não se pode falar em homicídio. "Não se tem o corpo, mas se tem efetivamente o desaparecimento, e as imagens são claras e ricas em detalhes em relação a ação. Eu acho que estas provas podem dar subsídios importantes às investigações. É necessário que a polícia dê uma resposta imediata a toda a situação", afirmou a delegada.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, entretanto a Polícia Militar também instaurou um inquérito para investigar a conduta da guarnição. O prazo para a conclusão do inquérito é de 40 dias.
A PM informou que vai ouvir testemunhas e analisar as imagens divulgadas e as que foram feitas pela câmera que fica dentro da viatura usada pelos policiais.
Segundo  o diretor de comunicação da PM, os policias envolvidos no caso são experientes e o comandante da guarnição é um subtenente com mais de 20 anos de serviço, entretanto reconheceu que a conduta deles fugiu aos padrões de comportamento definidos pela Polícia Militar.
"Existe um procedimento operacional padrão estabelecido pela PM, e não é este o comportamento e não é esta a orientação da corporação. Nós estamos também no procedimento, fazendo com que seja efetivamente investigada, para se atribuir as responsabilidades", destaca Gilson Santiago.
Segundo a assessoria da Polícia Militar, os policiais envolvidos na ação disseram  em depoimento que liberaram Geovane pouco depois da prisão, no meio da rua. Entretanto o setor não esclareceu em que local ele foi deixado e também não disse onde está a moto do rapaz.
Desespero da família
O pai de Geovane, Jurandy, começou a procura pelo filho na Central de Flagrantes nos Barris, para onde, segundo orientação da Polícia Civil, devem ser levadas pessoas detidas cometendo crimes em salvador.
Em seguida, Jurandy foi até a 2ª delegacia, no bairro da Lapinha - responsável pelas ocorrências do local onde Geovane desapareceu. Também não havia registro de entrada do rapaz.
As buscas continuaram nas delegacias de Periperi e da Boca do Rio. O pai de Geovane também foi à Delegacia de Repressão a Furtos e roubos de veículos, para tentar alguma pista sobre a moto que pertence ao rapaz, como mostra o documento. Nada foi encontrado.
Seu Jurandir esteve ainda na 37ª Companhia Independente, na Liberdade, na Delegacia de Simões Filho, e nos batalhões da Rondesp de Simões Filho e do bairro do Lobato, em Salvador. Ele não conseguiu nenhuma resposta sobre o paradeiro de Geovane.
Ao G1, Jurandy informou que denunciou o caso ao Ministério Público, no fim da tarde desta quinta-feira (14).
Jurandy conta que Geovane tem duas passagens na polícia por roubos cometidos em 2011, mas respondeu pelos crimes. O pai afirma que o rapaz estava trabalhando e não tinha qualquer problema com a Justiça. "Ele tem uma filhinha de um ano e sete meses, trabalha fazendo limpeza de ônibus, mas está afastado", acrescenta.
"Ainda tenho esperança. Enquanto não acharem o corpo dele, eu tenho esperança. Estou na luta, uma angústia, vou em um lugar, em outro. Estou sem comer direito, sem dormir. Estou sofrendo. Ele não desapareceu do nada, ele foi levado. Será que é assim que a polícia tem que agir?", questionou.
Do G1 BA

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