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Morre idoso baleado por PM na Zona Leste de São Paulo

Mario Ap. dos Santos, 63 anos, estava internado no Hosp. Santa Marcelina.
Ele tinha sido baleado no pescoço durante uma abordagem policial.


Mário Aparecido dos Santos, de 63 anos, morreu por volta das 15h desta quarta-feira (13) no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, onde estava iternado desde domingo (10), quando foi baleado no pescoço por uma policial militar durante uma discussão. A informação foi confirmada pela instituição hospitalar na noite desta quarta-feira.
A policial militar Aretuza Moraes, que disparou contra o idoso, em Cidade AE Carvalho, na Zona Leste de São Paulo, foi detida em flagrante e vai responder a inquérito por lesão corporal grave, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ela foi levada para o Presídio Romão Gomes, na Zona Norte da capital.

A filha dele estava na garupa de uma motocicleta que não obedeceu à ordem de parada dada pelos policiais. A mulher e o motociclista vão responder em liberdade por desobediência e resistência à prisão, segundo a SSP. A confusão foi registrada por um vizinho com um telefone celular.
Os policiais que faziam a ronda no bairro, por volta de 17h, fizeram sinal para que um homem de 21 anos que pilotava uma moto parasse. Como ele não tinha habilitação para pilotar, ele continuou até parar perto da casa da mulher que estava na garupa.
As imagens feitas pelo vizinho mostram a moto tombada e o motociclista no chão, sendo imobilizado pelos policiais. As pessoas, então, ficaram exaltadas. A imagem mostra uma outra mulher chutando um dos policiais. No mesmo momento é possível ver o braço de um homem de camisa escura, que é Mário Aparecido dos Santos, pai da moça que estava na garupa, tocando a policial. Acontece uma discussão. As imagens mostram que a policial militar dá dois tiros para o alto. Depois a policial, abaixa a arma e o terceiro disparo acerta o idoso no pescoço.
Segundo a PM, as circunstâncias do terceiro disparo, no qual "a policial alega ter tido seu braço puxado, estão sendo verificadas e serão analisadas e julgadas pela Justiça". A corporação afirmou ainda que os policiais foram recebidos com hostilidade e que moradores jogaram pedras e copos de vidro.
A mulher da vítima, que pediu para não ser identificada, conta que o marido levou o tiro enquanto pedia calma aos policiais."Só via na hora em que ele estava em cima deles [dos policiais] para tirar a minha filha. Ele falou que era filha dele, que não precisavam fazer tudo aquilo. Aí, ela atirou nele e apontou a arma para mim e para minha filha. Ela mandou eu sair porque eles iam atirar", disse a mulher.
Bairro de AE Carvalho
Mário Aparecido dos Santos tinha sido levado inicialmente para o Hospital de Ermelino Matarazzo em estado grave. Ele foi transferido para o Hospital Santa Marcelina.

Na manhã de segunda-feira, os envolvidos na ocorrência foram ouvidos no 24º Distrito Policial para que o boletim de ocorrência fosse registrado. O local do incidente não foi preservado. Pessoas do bairro contam que outros policiais chegaram e usaram bombas para dispersar a multidão. As filhas da vítima contam que, logo depois que levaram o pai para o hospital, policiais voltaram ao local para retirar a moto e levá-la direto para delegacia.
Letalidade policial
O índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em São Paulo é quase três vezes o registrado para a população branca e a taxa de prisões em flagrante de negros é duas vezes e meia a verificada para os brancos. É o que mostra um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) divulgado em abril.
Os dados revelam que 61% das vítimas da polícia no estado são negras, 97% são homens e 77% têm de 15 a 29 anos. Já os policiais envolvidos são, em sua maioria, brancos (79%), sendo 96% da Polícia Militar.
A coordenadora da pesquisa, Jacqueline Sinhoretto, diz que existe hoje um “racismo institucional”. “Não é que o policial como pessoa tenha preconceito. É o modo como o sistema de segurança pública opera, identificando os jovens negros como perigosos e os colocando como alvos de uma política violenta, fatal”, diz.
O estudo sobre a letalidade policial, feito pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da universidade, levou em conta 734 processos da Ouvidoria, de 2009 a 2011, com 939 vítimas.
Do G1 São Paulo

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