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Médico diz ter dado até R$ 200 mil para irmã e filha de Abdelmassih

Ruy Antônio e advogado negam, porém, envio de dinheiro a ex-médico. 
Pediatra é suspeito de integrar rede de ajuda a condenado no Paraguai.


O médico pediatra Ruy Marco Antônio, ex-dono do Hospital São Luiz em São Paulo, negou na manhã desta segunda-feira (25) que tenha enviado dinheiro diretamente ao seu amigo Roger Abdelmassih enquanto ele esteve foragido por três anos no Paraguai.
Por intermédito do advogado Paulo Esteves, o pediatra afirmou que há um ano deu até R$ 200 mil para a irmã e para a filha do ex-médico por amizade, já que as duas estavam passando dificuldades financeiras.
Na terça-feira (19), o ex-médico Roger Abdelmassih foi preso no Paraguai. Ele foi condenado a 278 anos por atacar sexualmente 37 ex-pacientes no Brasil. Agora, ele cumpre a pena pelos estupros, consumados ou não, em Tremembé, no interior paulista.
No domingo (24), reportagem do Fantástico mostrou que Ruy Marco Antônio é investigado pela polícia porque teria colaborado financeiramente com Abdelmassih. Ele e mais pessoas são suspeitos de integrar uma rede de favorecimento ao condenado.
Por telefone, o pediatra Ruy Marco Antônio negou ao G1 as acusações de que estaria dando dinheiro a Abdelmassih, que é seu amigo. “É óbvio [que eu nego], né?!”, disse o médico.

Ao ser questionado se é inocente, Marco Antônio reafirmou que “é um absurdo [a informação de que estaria repassando dinheiro a Roger]”.

Em seguida, o pediatra afirmou que retornaria a ligação dentro de uma hora e meia para conversar “com mais detalhes”. Ao ligar novamente, passou o telefone para seu advogado, Paulo Esteves, que alegou que seu cliente deu dinheiro para uma irmã e para uma filha natural de Abelmassih porque elas estavam com dificuldades e em consideração à relação de amizade com o ex-médico. Marco Antônio acompanhou a entrevista ao lado do defensor.
“R$ 100 mil a R$ 200 mil”, respondeu Esteves ao ser questionado pela equipe de reportagem se Marco Antônio se lembrava quanto dinheiro deu a irmã e a filha de Abelmassih. O defensor não divulgou os nomes delas.
Questionado quando foi essa ajuda, o advogado falou ter sido “há um ano atrás” e que não sabia quanto cada uma recebeu. "Precisamente eu não posso dizer. Ajudou as duas”, disse o advogado, que informou que a filha de Abdelmassih estava grávida à época.
De acordo com o defensor de Ruy Marco Antônio, o médico não deu dinheiro a Abdelmassih, não falou com ele e nem sabia de seu paradeiro. "Se ele [pediatra] deu dinheiro, ele não deu [de forma] que pudesse caracterizar um ilícito", disse Esteves.
“Doutor Marco Antônio é um homem de bem. Estão querendo transmitir a ideia indevida que ele teria praticado qualquer ilícito, tipificando que ele faria parte de quadrilha ou de rede, que pudesse estar praticando um ilícito, coisa que não ocorreu”, disse o advogado.
“Essa investigação que estão fazendo, ela não apura e não apurou absolutamente nada, apenas palavras. Não existem indícios e nem provas. E essas notícias estão apenas se prestando a vender jornais e informações inexatas”, afirmou Esteves.
Suspeita da dinheiro vivo
De acordo com as investigações, Marco Antônio entregava dinheiro vivo para Sérgio Molina Jr., administrador da empresa Colamar, de produtos agropecuários. Uma das donas dessa empresa é Larissa Sacco, ex-procuradora e da Repúbica e mulher de Abdelmassih.
Fantástico também tentou entrar em contato com Molina Jr, mas ele não atendeu as ligações ou retornou os recados deixados. O G1 não localizou Larissa ou os advogados de Abdelmassih para comentarem o assunto.
Quando o advogado de Marco Antônio foi questionado se o médico conhece Molina Jr. e Campelo Maria, ele respondeu que isso poderia ser possível.

A investigação mostrou que Molina Jr. depositava o dinheiro na conta da Colamar e que um homem de confiança de Abdelmassih, Dimas Campelo Maria, era o responsável por sacá-lo e leva-lo até Foz do Iguaçu, no Paraná, fronteira com o Paraguai. Segundo o Ministério Público (MP), Campelo Maria foi nove vezes até Foz entre março do ano passado e maio deste ano.
O Fantástico obteve com exclusividade fotos que mostram o carro de Campelo Maria na região. Por telefone, Campelo Maria negou ao Fantástico que integrasse uma rede de favorecimento ao ex-médico. “O que eu posso dizer é que não é verdade. Nunca atravessei a Ponte da Amizade”, afirmou. E negou ter ido várias vezes até Foz do Iguaçu. “Não, não”.

Ao ser informado que existem fotos do carro que ele utiliza na região da fronteira entre os dois países, Campelo Maria respondeu: “Só se ele foi sozinho”. Em seguida, disse que estava em uma palestra e pediu para que a reportagem ligasse mais tarde. No entanto, não atendeu mais as ligações.

Do G1 São Paulo

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