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Jovem que delatou cárcere em receita era ameaçada, diz delegado de MS

Filho de cinco meses ficava com a jovem e não tem registro de nascimento.
Suspeito deve ser apresentar à polícia nesta quinta-feira, diz advogado.


Pedido de ajuda foi escrito no verso de receita médica e entregue à farmacêutica (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Pedido de ajuda foi escrito no verso de receita médica e entregue à funcionária (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)
A adolescente de 17 anos que escreveu um pedido de socorro em uma receita médica relatando cárcere privado, em Campo Grande, prestou depoimento à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) nesta quarta-feira (20). O suspeito do crime, um homem de 40 anos, deve se apresentar à polícia nesta quinta-feira (21), de acordo com o advogado de defesa, Alan Vinícius.
Segundo o delegado adjunto da unidade, Paulo Sérgio Lauretto, a vítima relatou em depoimento que ficava trancada em casa junto com o filho de cinco meses, e que só saiam na companhia do suspeito. A adoelscente explicou à polícia que não denunciou o caso antes por medo do suspeito.
No pedido de ajuda escrito no verso da receita médica, a adolescente chama o suspeito de psicopata e diz que é mantida em cárcere privado. Ela também relata que sofre agressões e ameaças do homem, diz que o suspeito ameaçou tirar o filho dela e indica o nome e o CPF dele.
"Ela alega diversos motivos [que impediram a denúncia]: medo dele [suspeito] e das ameaças, dó da família dele, dos filhos e da mãe e depois diz que esperava que ele melhorasse o comportamento. Durante o depoimento, ela foi apresentando várias justificativas que retardaram esse pedido de socorro", explicou Lauretto.
A garota disse que o bebê, que nasceu em março de 2014, não tem registro de nascimento, e informou também que escreveu o bilhete no mesmo dia em que entregou a receita à funcionária de uma farmácia.
O caso foi descoberto na última segunda-feira (18) e a jovem foi resgatada pela Polícia Militar (PM) em uma casa no bairro Guanandi, horas depois de entregar o recado. Conforme o delegado, a garota diz que foi morar com o suspeito na casa da mãe dele há cerca de um ano.
"Depois de cerca de 40 dias, tomou conhecimento de que esse indivíduo era casado e tinha outra família, a própria mãe do suspeito solicitou que ela fosse retirada da casa da família, foi quando ele [suspeito] alugou outro imóvel. E nesse imóvel, ficaram por um breve período, e logo em seguida teriam se mudado para um terceiro endereço e depois disso foram morar em uma quarta casa, onde o suspeito morava com a esposa e dois filhos. A adolescente foi resgatada neste local", informou o delegado.
Vizinhos
Ainda conforme o delegado, após perícia realizada em uma das casas onde a adolescente diz ter sido vítima de cárcere, foi constatado que a garota tinha condições de ter pedido ajuda antes.
"Se tivesse esse ânimo anteriormente, ela poderia ter pedido socorro por intermédio de uma janela, que dava para ver os fundos da outra casa do mesmo terreno, porque, as pessoas que ali residem, sabiam da existência dela ali. O que nos chama atenção é isso, a facilidade que ela teria e se quisesse de pedir socorro antes, porém não o fez por medo", afirmou.
Resgate
A adolescente foi resgatada pela Polícia Militar (PM) em uma casa, no bairro Guanandi, região sul da cidade, horas depois da denúncia e está sob cuidados de familiares. O suspeito não foi encontrado na residência.
De acordo com o delegado, a vítima morava em uma edícula, nos fundos da residência onde o suspeito morava com a esposa e outros filhos. No dia do resgate, quando a PM foi até o local, a esposa do suspeito chegou a negar a presença da adolescente na casa, por isso, conforme o delegado, a participação dessa mulher será apurada no inquérito.
"Pelo local que ela [vítima] nos indicou, e que nós estivemos, realmente é possível que tenha havido sim [cárcere privado] porque ela ficava em um compartimento localizado aos fundos do terreno em que ele é guarnecido por dois porta-cadeados que são fechados pelo lado de fora. Então, é muito coerente com a versão dela", afirmou, dizendo ainda que segundo a vítima, o suspeito saia para trabalhar e a deixava trancada em casa com a criança.
No pedido de ajuda, vítima disse que era agredida pelo suspeito (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)No pedido de ajuda, vítima disse que era agredida pelo suspeito (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Do G1 MS

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