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Bola vai a júri por morte de jovens em centro de treino da polícia em Minas

Ele e mais três reús são acusados de tortura, sequestro e cárcere privado.
Decisão da juíza, que cabe recurso, não prevê data para o julgamento.


Bola durante júri do caso Eliza, em abril de 2013.
(Foto: Renata Caldeira/ TJMG)
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos – o Bola –, condenado pela morte de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, e outros três colegas de corporação vão ser julgados pelo assassinato de duas pessoas no centro de treinamento do Grupo de Respostas Especiais da Polícia Civil, em maio de 2008. A decisão da juíza Cirlaine Maria Guimarães, da comarca de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, não prevê data para o julgamento e está sujeita a recurso.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), além do crime de homicídio, os réus responderão por tortura, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e peculato.

Entre os réus está o policial Gilson Costa, investigado em inquérito complementar ao processo sobre desaparecimento e morte de Eliza Samudio. De acordo com a Polícia Civil, Costa e os outros dois policiais são investigadores e ainda estão na ativa. A corporação informou que um processo administrativo envolvendo os três, instaurado na Corregedoria, está em fase final de tramitação.
Na decisão, divulgada nesta segunda-feira (4), a magistrada concedeu a Costa e aos outros dois policiais o direito de recorrer em liberdade. Bola cumpre pena na Penitenciária Professor Jason Soares Albergaria, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana da capital mineira.
A denúncia do Ministério Público aponta, segundo informou a Justiça, que Bola e os três policiais civis abordaram as duas vítimas, que estavam em um veículo próximo ao sítio de treinamento da corporação.
Ainda conforme a denúncia, os réus constataram que as vítimas tinham antecedentes criminais e suspeitaram que iriam roubar cargas. Com isso, as colocaram em uma viatura e as levaram para o centro de treinamento, onde foram interrogadas, despidas, algemadas e torturadas, segundo o MP.
O desaparecimento das vítimas foi registrado em maio de 2008. Um ano depois desse registro, uma denúncia anônima chegou à Corregedoria-Geral de Polícia Civil, afirmando que os quatro acusados tiveram participação no crime. Segundo o Ministério Público, o caso foi apurado pela Corregedoria.
Procurado pelo G1, o advogado Fernando Magalhães, que representa o Bola, disse que vai avaliar se vai recorrer ou não da decisão. A reportagem tentou contato com a defesa de Gilson Costa, mas ninguém foi encontrado.

Caso Eliza
Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

Em março de 2013, Bruno foi considerado culpado pelo homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado da jovem. A ex-mulher do atleta, Dayanne Rodrigues, foi julgada na mesma ocasião, mas foi inocentada pelo conselho de sentença. Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do atleta, já haviam sido condenados em novembro de 2012.

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos foi condenado a 22 anos de prisão. O último júri do caso foi realizado em agosto e condendenou Elenilson da Silva e Wemerson Marques – o Coxinha – por sequestro e cárcere privado do filho da ex-amante do goleiro. Elenilson foi condenado a 3 anos em regime aberto e Wemerson a dois anos e meio também em regime aberto.
Do G1 MG

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