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Policiais ignoram regra e prestam socorro ao saber que ferido era PM


Registro em vídeo (sem som) feito por uma câmera de segurança em Moema, bairro nobre na zona sul de São Paulo, mostra policiais militares descumprindo resolução do governo ao socorrerem um homem baleado por ladrões, em vez de chamar o resgate.
As imagens mostram uma tentativa de roubo de carro em que o motorista é atingido. Ele ainda consegue revidar com um tiro, mas os ladrões fogem. A ação acontece em poucos segundos, às 21h08.
O primeiro carro da Polícia Militar chega ao local do crime cinco minutos depois. Durante 5 minutos e 50 segundos, os soldados nada fazem para socorrer a vítima, que sangra abundantemente. Parecem aguardar o Samu ou outro serviço especializado.
Os PMs vasculham os bolsos do baleado, que caiu de bruços, e o veículo Toyota Camry que ele dirigia.
O vídeo mostra, porém, uma mudança na atitude dos policiais a partir do momento em que um soldado retira do bolso da vítima uma carteira de documentos.
Um facho intenso de luz ilumina a cena. O soldado usa a luz para examinar os documentos. A vítima era Edson Luiz Camargo da Cunha, 47, policial militar reformado.
O soldado que examina os documentos fala com seus colegas e, de repente, os cinco PMs que aparecem no vídeo cercam o ferido.
Rapidamente, os policiais decidem removê-lo. Um carro de polícia leva o ferido ao Pronto-Socorro do Hospital São Paulo (zona sul).
Durante dez minutos e 50 segundos, Cunha ficou jogado no chão. Pelo menos 10 minutos a mais foram consumidos no transporte entre o local do crime e o hospital.
Às 21h35, o ferido teve uma parada cardiorrespiratória. Até tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso.
OMISSÃO DE SOCORRO
O vídeo foi gravado no dia 10 de janeiro, três dias depois de o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, ter assinado a Resolução SSP-05 que determina que, em casos de lesões corporais graves, os policiais que primeiro atenderem a ocorrência deverão preservar o local do crime até a chegada da perícia e, em vez de socorrer o ferido, devem acionar imediatamente a equipe do resgate, Samu ou o serviço de emergência.
"O que o vídeo sugere fortemente é que os policiais que atenderam a ocorrência só se dispuseram a socorrer o ferido quando perceberam que se tratava de um colega de farda", disse à Folha a advogada criminalista Roselle Adriane Soglio, 37, recém-chegada de um curso de perícia forense na Universidade George Washington (EUA).

"TUDO ERRADO"
Segundo a advogada, a polícia fez tudo errado neste caso. "O que se vê no vídeo é que os policiais nem ofereceram socorro (e tratava-se de um caso emergencial), nem preservaram a cena, já que eles mesmos vasculharam o carro e a vítima, além de terem permitido a permanência de populares no local."
Para piorar a situação, se fosse esperar pela chegada do Samu, a vítima teria morrido na calçada mesmo. Não existe, nos registros do Samu, nenhum pedido de socorro para vítima na rua dos Guaramomis (onde ocorreu o crime) em janeiro de 2013. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde, operadora do
Samu na cidade.
A Secretaria da Segurança Pública disse por meio de nota oficial que "já abriu investigação para apurar as circunstâncias das ocorrências relatadas pela reportagem".
Segundo o promotor de Justiça Luiz Roberto Faggioni, a resolução do secretário Grella "gerou o caos". "Se tenta salvar, o policial pode ser punido. Se não tenta, pode condenar feridos à morte por omissão de socorro."
OUTRO LADO
A Folha mostrou o vídeo para a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na sexta-feira (3). Deixou, inclusive, cópia dele com os assessores de Fernando Grella, a fim de embasar pedido de entrevista sobre o episódio ocorrido em Moema em janeiro.
A secretaria, entretanto, preferiu emitir nota oficial em que afirma já ter aberto "investigação para apurar as circunstâncias das ocorrências relatadas pela reportagem da Folha de S.Paulo".
Segundo a secretaria, "se houve erros ou condução irregular dos policiais neste episódio, eles serão punidos após a devida investigação".
A nota oficial diz que a "resolução 5, de 2013, determina a preservação da cena do crime para garantir melhores condições de investigação. Também recomenda que o resgate das vítimas de agressões e crimes seja feito por serviços especializados, nas cidades onde eles estejam presentes".
Até a conclusão desta reportagem a secretaria não respondeu se os policiais chamaram o resgate para o baleado.
Folha de São Paulo

Comentários

  1. Correto, uma resolução não pode estar acima do Código Penal tão pouco da Constituição.

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  2. Vejam a situação do pobre Policial Militar: Se socorre a vítima é punido por não preservar o local de crime e por não observar a resolução; Se não socorre a vítima entra por omissão de socorro. Eita profissão maldita...

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  3. Se tivesse morrido então haveria preservação de local: como estava ferido os policiais fizeram bem em socorre-lo. Agora vem uma advogada que fez curso no exterior para falar sobre procedimentos aqui no Brasil.É fácil criticar; o difícil é tomar decisão em frações de minutos, quando a gente está na ocorrencia. Ficar sentado (a) numa sala confortável para criticar e julgar os outros é muito comodo. Não tem mais jeito para o policial trabalhar. O unico jeito é cruzar os braços e deixar o circo pegar fogo; talvez a policia seja mais valorizada.

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  4. A partir do momento que o SAMU for o primeiro a chegar nos locais de crimes com vitimas, então essa resolução pode ser aplicada. Mas enquanto a Policia for a unica instituição que tem capacidade de chegar ao local onde se faz necessário e sem enrolação, deve sim ter a autonomia para socorrer a vitima, seja esta policial ou não. Ao Senhor Secretario e a Advogada citada, só saberão a quão importante é cumprir tais procedimentos quando estiverem na situação das vitimas aguardando o socorro, "especializado", para si ou para alguém próximo e cercados de policiais, ter ouvir daqueles que poderiam lhes salvar a vida que não podem socorrer por não estar de acordo com a nova resolução... Tenso...

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  5. A Sra Advogada criticaria do mesmo jeito se eles não socorressem, ela diria que eles seriam indiferentes até mesmo com seus colegas, não sei qual a verdadeira intensão desse movimento para denegrir os policiais de São Paulo, juro que não entendo, talvez se tentar entender ficaríamos loucos. Ninguém precisa da polícia? Eu preciso!

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