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Polícia Federal não tem efetivo suficiente para combater tráfico


O combate ao tráfico, comércio e consumo de drogas depende da ação policial, claro, mas não só: antes, ou paralelo ao trabalho da Polícia, é indispensável a educação, a ação preventiva. Quem defende essa receita não é nenhum leigo, mas o próprio presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Alagoas, Tomé Carlos Cavalcante.
Ouvido pelo Primeira Edição, ele afirmou: “Além do trabalho de fronteira (que é por onde as drogas entram no País), é preciso usar o serviço de inteligência para chegar aos grandes traficantes. E paralelo ao trabalho policial, é necessário um trabalho de educação. Não adianta somente o trabalho de combate, se o preventivo não é feito. As campanhas educacionais contra o crack, firmes, fortes e constantes também são importantes nesse combate. Tudo isto vai ajudar a reduzir os números da violência no Estado e no país”.
O sindicalista defende uma política de investimento forte e efetiva na Polícia Federal e faz uma comparação com a Argentina, um país bem menor do que o Brasil, mas que tem um efetivo três vezes maior que o brasileiro. “Nos Estados Unidos sete agências fazem o mesmo trabalho que a PF faz no Brasil. Então, nossa competência é muito grande enquanto a mão de obra é pequena. Além claro da burocratização brasileira, do nosso sistema de investigação que produz inquéritos enormes”. 
Em Alagoas, a situação é ainda pior, segundo relata. A Polícia Federal conta com um efetivo de apenas 120 homens para atender todo o Estado, que hoje tem população superior a três milhões de habitantes. “Como policial afirmo que, no mínimo, a gente precisa de 250 policiais para ter uma demanda razoável, não é ótimo; para fazer um atendimento razoável à sociedade”, diz Tomé Cavalcante.
O problema da PF, como se vê, é o mesmo que fragiliza a Polícia Militar e a Polícia Civil de Alagoas: carência de material humano, sobretudo de policiais para enfrentar os criminosos.
Tomé revela que são apenas 2.000 mil homens para fazer a segurança de uma fronteira de 16 mil km, e o resultado disso são as portas abertas. “Vamos reforçar a fronteira? Então, me dá gente, efetivo pra gente trabalhar”. Diante dessa realidade, ele admite que não há como impedir o contrabando de armas e a entrada de drogas no país. “Tu vai impedir a entrada de contrabando de entorpecentes, bem como de armas e explosivos com esse efetivo?”.
De acordo com ele, a cada ano cerca de 500 policiais acabam deixando a carreira, seja por aposentadoria, seja por busca de melhores salários. A situação da PF hoje é de três agentes para cada delegado e em alguns Estados, como Alagoas, existem dois agentes para um delegado. “É impossível você cumprir a demanda de serviços com esse efetivo que temos hoje”. (Primeira Edição).

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