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PM reforça segurança no Alemão, mas não garante abertura do comércio

Comandante das UPPs afirma que região terá aumento de 40% no efetivo policial. Mas não tem como garantir que moradores e comerciantes vão se sentir seguros
A Polícia Militar tem duas notícias para os moradores do Complexo do Alemão após um dia com escolas e comércio fechados por ordem dos traficantes. A boa é que o policiamento foi reforçado em 40% - o número exato é mantido em sigilo por ser um “dado estratégico”. A má: mesmo com o reforço, não há garantia de que a vida siga normalmente nesta sexta-feira. Ou seja, o aumento do policiamento é certo, o recuo do tráfico, nem tanto.
O chefe das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes, disse repetidamente que não pode assegurar que tudo voltará ao normal na sexta. Como explicou o coronel, é a ditadura do tráfico que obriga o fechamento dos estabelecimentos. Não cabe à polícia ordenar abertura, mas dar as condições para que o comércio e as escolas retornem à rotina.
A lógica do oficial da PM é perfeita. Mas não suficiente para levar a crer que, depois de dois anos e meio de ocupação, os moradores do Alemão considerem a área de fato “pacificada” - como divulga o governo do estado. O coronel Paulo Henrique insistiu no discurso de que o medo ainda faz parte da cultura da população da favela, que, ainda segundo ele, será dissipado com o tempo. Para o coronel, o clima de terror foi espalhado por uma série de ‘boatos’.
Oficialmente, a corporação não atribui o fechamento do comércio a um episódio específico. Mas a hipótese mais provável, e que já provocou esse tipo de represália em outras ocasiões, é sempre a morte de um traficante pela polícia. De acordo com a 22ª DP (Penha), na noite de quarta-feira foi registrada a morte de Anderson Simplício de Mendonça, 29 anos, conhecido como “Orelha”. Segundo a Polícia Civil, Anderson tinha dois mandados de prisão pendente pelos crimes de tráfico de drogas e associação com o tráfico. O suspeito foi encontrado, segundo a polícia, com um revólver calibre 38 e oito munições. “No local, os PMs arrecadaram dois carregadores para fuzil calibre 762 e vinte munições para o mesmo calibre. Familiares de Anderson e testemunhas estão sendo intimadas a prestar depoimento. Agentes da 22ª DP estão realizando diligência para identificar os outros traficantes”, diz uma nota enviada pela Polícia Civil.
O Complexo do Alemão foi ocupado no fim de 2010. Na ocasião, o conjunto de favelas funcionava como um bunker do tráfico de drogas dos criminosos mais temidos na cidade. Conforme as UPPs avançavam pela Zona Sul, ficava a dúvida sobre como seria o avanço da ocupação policial em favelas maiores e com bandidos mais bem armados.
Em uma invasão cinematográfica, o Exército e a polícia ocuparam o Alemão, em uma espécie de coroação da política de segurança, que tinha acabado de reeleger o governador Sérgio Cabral. A partir do ano seguinte, em 2011, a série de fatos que veio à tona mostrou que a presença das UPPs não era necessariamente sinônimo de paz.
Revista Veja

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