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Cadetes sofrem com falta de estrutura na Academia da Polícia Militar do Rio

Nos apartamentos, com infiltrações e goteiras, há vasos sanitários e boxes quebrados e faltam pias. Chuvas alagam corredores e alojamentos, e alunos têm de comprar material de limpeza e limpar quartos três vezes por dia. Por falta de condições, 3º ano saiu do internato
Sem dinheiro, a Academia de Polícia Militar D. João VI, que forma os futuros oficiais da corporação no Rio, está passando por uma crise estrutural. As instalações que abrigam os cadetes, internos durante os três anos de sua formação, estão precárias.
Em muitos banheiros dos apartamentos ocupados pelos alunos, metade dos vasos sanitários estão inutilizáveis, quebrados; faltam pias ou cubas, outras estão entupidas, e há boxes danificados. Em outros quartos, há infiltrações frequentes e goteiras permanentes – em alguns, baldes evitam que os pingos encharquem o chão.
Durante as chuvas no mês de março, telhas do edifício voaram e outras se quebraram, o que provocou alagamentos nos alojamentos e corredores do prédio principal. Os cadetes dormem em beliches, divididos em apartamentos por ano de formação, variando de seis a 14 ocupantes cada. As tempestades também destruíram uma janela da academia de musculação, interditada por cerca de três semanas, até ser reparada.
Quando chove, a ala do 3º ano tem o corredor inundado, formando rasas “piscinas”, que impedem que se entre nos apartamentos sem molhar os pés. Em quartos do segundo andar, a água que alaga os corredores também penetra por baixo das portas, molhando o chão dos alojamentos.
Por conta da falta de condições adequadas de alojamento, os 168 alunos do terceiro ano acabaram por passar ao externato em abril, cinco meses antes do previsto. De acordo com publicação em boletim interno da PM, eles deveriam permanecer no internato até setembro deste ano. Como sua ala foi a mais afetada, a academia tomou a decisão de modificar seu regime de internato para externato.
Houve reparos recentemente, especialmente em áreas externas mais visíveis, com vistas à cerimônia de entrega do Espadim de Tiradentes, em 13 de junho. A situação dos apartamentos, porém, pouco mudou.
Ventiladores quebrados no calor de Sulacap
O calor do bairro de Sulacap (zona oeste do Rio, uma das áreas quentes da cidade do Rio, onde fica a academia) é outro problema para os cadetes, internos. Não há ar-condicionado em nenhum dos quartos, e muitos ventiladores dos apartamentos tampouco funcionam. Para evitar que entre poeira, os cadetes optam por manter as janelas fechadas tanto quanto possível quando estão nos quartos. O resultado é uma estufa, que buscam minimizar com um ou dois dos quatro ventiladores em funcionamento.
Como não há lavanderia nem máquinas de lavar roupa, e os cadetes só vão para casa às quartas-feiras – a partir do segundo ano –, e às sextas-feiras, as fardas são lavadas no improviso. Muitos são obrigados a enxaguá-las no banho; outros usam baldes, mesmo. Secar os uniformes é outro problema. Nem todos os apartamentos contam com varal. Para ter a farda impecavelmente passada, como é exigido, eles se cotizam para comprar tábuas de passar roupa.
Cadetes precisam comprar material de limpeza do próprio bolso
Apesar da falta de condições oferecida, há uma exigência quase obsessiva com a limpeza dos alojamentos e banheiros, que devem ser limpos pelos alunos três vezes por dia: pela manhã, após a aula de educação física e após a revista das 10h. Cabe aos cadetes, porém, comprar todo o material de limpeza. A academia não fornece nada: vassouras, rodos, baldes, panos de chão, água sanitária, cera, desinfetantes saem do bolso dos alunos, que se cotizam para as compras. Assim como os alunos do Curso de Formação de Soldados, papel higiênico também é por conta deles.
Como faltam armários e espaço para alocar o material, pias são por vezes usadas como armazém e estoque.
Com isso, há quem gaste R$ 50 por mês em material, contaram alunos. Eles recebem de R$ 1.900 – menos que um soldado de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), reclamam – a R$ 3.400 (se já fosse soldado da corporação, caso de cerca de um terço dos alunos).
“Ordem unida” de calçados: coturnos são mais “antigos”
Tudo tem de ficar em ordem militar. Pode parecer estranho, mas os alunos devem organizar seus calçados de acordo com a “antiguidade” e importância no armário: no lugar mais “nobre”, os coturnos (botas), ao lado dos sapatos sociais; na fileira de trás, ficam os tênis – atrás dos coturnos – e os chinelos padronizados, havaianas brancas com tiras pretas. O mais curioso é que, quando retiram os coturnos para uso, devem pôr os sapatos em seu lugar, “avançar” os tênis e colocar os chinelos a substitui-los, qual uma “ordem-unida” de calçados.
Por falta de dinheiro da academia, os cadetes também não receberam abrigo (conjunto de calças e casaco de tactel) nem o novo uniforme (camiseta branca e calças azuis de tactel e tênis pretos). Os que não tiveram dinheiro para comprar o seu, continuam a usar a farda normal (MUG). Faltam ainda recursos para pagar pelas estrelas da túnica dos alunos. À medida que avançam, o número de estrelas corresponde à sua classe (1º ano, uma estrela, 2º ano, duas, 3º ano, três). Porém, muitos ainda usam uniformes do ano anterior, por esse motivo.
A falta de recursos para investimentos é uma queixa da PM, que se ressente de depender muito da boa-vontade da Secretaria de Segurança.
Rotina longa
A rotina diária começa às 5h50. Para isso, os alunos em geral se levantam às 5h, para tomar café e fazer a primeira limpeza do apartamento e do banheiro. As atividades vão até as 17h, quando são liberados para ficar à vontade, estudar, ficar nos apartamentos.
Às 18h, é servido o jantar, e às 21h, devem entrar em forma novamente para “tirar a falta”, ou seja, confirmar presença, antes de se recolherem.
Sextas-feiras são os dias mais tranquilos, que acabam às 12h, para quem não está de serviço nem ficou detido no quartel, por alguma sanção disciplinar. Os cadetes são liberados após a “revista de túnica”, o uniforme de gala.
Muitos na PM questionam por que manter o regime de internato, mais custoso, quando se poderia economizar com despesas como luz, água e comida.
Gelo na geladeira causa detenção; suplementos e mochilas proibidos
Algumas atitudes inusitadas e incompreensíveis geram perplexidade aos alunos. Houve gente detida porque havia gelo no congelador da geladeira... Vitaminas e suplementos tiveram o uso proibido na academia, por determinação de um capitão. Mochilas são vedadas nas salas de aula, bem como o uso de laptops, a não ser quando o professor expressamente autorize.
O andar do comando e da administração é restrito e vedado aos alunos, que só podem chegar até uma determinada linha preta-limite pintada no chão. A partir dali não podem passar, sob risco de punição, embora soldados e cabos do complexo militar possam entrar. Precisam, então, frequentemente, pedir a ajuda aos funcionários terceirizados da faxina – esses, sim, autorizados – do quartel para chamarem algum oficial de serviço para atendê-los.
Comandante prioriza direitos humanos e proibiu trotes e rivalidades, mas é “distante”
O comandante, coronel Íbis Pereira da Silva, é visto com admiração pela tropa, do ponto de vista  intelectual. Ele implantou uma série de mudanças na formação dos cadetes. A partir de quando assumiu o comando, em 2011, priorizou o ensino e uma formação mais voltados para os direitos humanos e o desenvolvimento intelectual dos alunos na academia.
Também proibiu os trotes violentos que costumavam acontecer, com agressões; ou como forçar  os novatos a deitar no chão do pátio para secá-lo com a própria farda, após chuvas; ou obrigá-los a rolar na grama do campo de futebol à noite, em meio a formigas. Nos anos 1980, época em que o coronel foi cadete, alunos eram obrigados a dormir dentro do armário, com a roupa encharcada... 
O comandante também proibiu as manifestações de rivalidade "tradicionais" na academia entre as turmas de anos pares e ímpares - embora essas persistam, à sua revelia. Há até canções de exaltação às turmas par e ímpar. Íbis considera que alguém formado à base de violência e de trotes não seja capaz de se transformar em um agente garantidor dos direitos humanos.
Os alunos reclamam, porém, do pouco acesso e do contato reduzido com ele, visto como “distante” dos cadetes. Segundo eles, o coronel só se dirige à tropa em discursos, raras são as oportunidades em que conversa e os ouve. “Ele não é cruel, mas falta interação com os cadetes”, dizem.
Segundo PM, danos ocorreram devido a vendaval e limpeza é feita por empresa
O iG enviou para a assessoria de imprensa da PM um email na manhã de sexta-feira (17) relatando o assunto da reportagem e fazendo algumas perguntas sobre o tema.
A PM respondeu em nota com três tópicos. Afirmou que houve danos físicos na cobertura de parte do prédio da academia "devido a um rigoroso vendaval ocorrido recentemente" e que "o orçamento dos reparos encontra-se em fase de conclusão".
A nota da assessoria disse ainda que "a limpeza das dependências da Academia de Polícia Militar D. João VI é feita por empresa contratada pela Polícia Militar". Segundo a PM, a decisão de "manter as turmas do terceiro e do segundo anos do curso de formação de oficiais em regime de externato não tem qualquer relação com o dano no prédio".

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro 

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