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Na Segurança pública, o fracasso já nem se discute

18% foi o percentual do aumento de homicídios dolosos entre janeiro de 2012 e janeiro de 2013 nos demais municípios do Ceará, excetuada Fortaleza
Talvez o que haja de mais revelador nas declarações do coronel Bezerra ao jornalista Thiago Paiva, no O POVO da última sexta-feira, é que até o secretário estadual da Segurança já parece admitir o fracasso dos resultados na área que comanda. O desastre está nas estatísticas oficiais e nem o gestor da área usa argumentos para defender os indicadores. O caso agora é distribuir as culpas pelo descalabro. Então, pelo menos em um ponto parece já haver acordo. Sobre a atribuição das responsabilidades, disse o coronel: “Sugiro, nesse momento, que vocês vejam que tipo de equipamento a Prefeitura de Fortaleza, nos últimos oito anos, colocou à disposição dos jovens e adolescentes. (...) Isso requer investimento na área da educação, assistência ao jovem, criação de emprego e na área da punição efetiva de quem comete o crime”.
A visão integrada é um avanço e creio que poucos haverão de discordar. Mas há alguns problemas em culpar a administração passada do Município. Os dados mais recentes sobre homicídios dolosos disponíveis ontem no site da secretaria do doutor Bezerra eram relativos a janeiro. Na comparação entre o primeiro mês deste ano e o mesmo período do ano passado, a quantidade de mortes caiu de 164 para 163 na Capital. Manteve-se estável dentro do cenário que já era péssimo. Já no resto do Estado, no mesmo período, o número de homicídios foi de 161 para 190 entre um janeiro e outro. Aumento de 18%. A situação do Interior se deteriora de forma muito mais preocupante que a da Capital. Em ambos os casos, o cenário é terrível, mas em uma há estabilidade, na outra, descontrole. Para justificar seu argumento, o doutor secretário precisa arrumar 183 Luiziannes Lins pioradas Ceará afora.
A não ser que apareça alguém por aí para dizer que o resultado de Fortaleza já reflete as mudanças decorrentes da posse de Roberto Cláudio (PSB) como prefeito. Aliás, é bem capaz.
AS MOTIVAÇÕES FORAM POLÍTICAS
Diante do que afirmou Bezerra, seria adequado a cúpula do Governo do Estado explicar direitinho à população porque apoiou essa mesma Prefeitura ao longo de sete anos e meio dos oito aos quais se referiu o coronel. Porque, é bom lembrar, não foi pela autocrítica administrativa que o governador Cid Gomes (PSB) rompeu com a ex-prefeita. Ele deixou cristalino que o PSB lançou candidato próprio em função de não concordar com a forma como o PT escolheu seu postulante. O problema foi político, não de gestão. Agora, usa-se a ex-aliada para justificar as próprias falhas. 
 Seja como for, admitindo-se que o doutor secretário esteja certo, está-se no melhor dos mundos. A gestão mudou, há um aliado na Prefeitura e agora nenhum resultado é aceitável que não seja a melhora dos índices de criminalidade. Até porque é difícil piorar. Mas convém não duvidar.
QUANDO NÃO DÁ PRA ESCONDER...
Em junho de 2011, em entrevista ao O POVO, coronel Bezerra comemorava a redução do índice de homicídios em 13% em Fortaleza. Reflexo, segundo disse, do recorde de apreensão de armas. Naquela época, Luizianne já era prefeita havia seis anos e meio. Mas isso não parece ter pesado naquele momento. Ou vai ver a falta de investimentos para a juventude só se deu nessa reta final.
 Houve ministro da Fazenda que caiu porque falou: “O que é bom a gente fatura e o que é ruim a gente esconde”. Para o secretário, na impossibilidade de esconder, arranjam-se culpados.
A REALIDADE ALTERNATIVA NUM UNIVERSO PARALELO DA CRIMINALIDADE
No último dia 17, O POVO publicou outras declarações do secretário da Segurança. Ele repetia argumento que tem sido recorrente na cúpula do Estado para justificar por que tanto dinheiro gasto não deu resultado. O coronel disse que, sem tanto investimento, “estaríamos vivenciando um verdadeiro caos”. Bom, não sei como ele qualifica o atual cenário, que a este colunista parece bem próximo da descrição acima. Mas, objetivamente, o coronel faz futurologia do que não aconteceu como modo de rebater as críticas de incompetência na aplicação do dinheiro da Viúva. Tanto eu não posso dizer que ele está errado e que a situação não seria pior sem os gastos realizados, como ele não pode me desmentir se eu eventualmente disser o contrário. O que existe de concreto é: o momento é pavoroso. Especular sobre um presente alternativo no caso de o passado ter sido diferente é retórica vazia.
 Na mesma entrevista, Bezerra apontou o sucateamento herdado do governo Lúcio Alcântara para explicar o volume de dinheiro aplicado. Ainda que tenha razão, não fica bonito para governo que se encaminha para a metade do sétimo ano culpar o antecessor. Até porque, salvo reviravolta na segurança pela qual todos torcemos, daqui a dois anos, o coronel poderá ouvir seu sucessor dizer que herdou situação de descalabro, com criminalidade fora de controle. E será difícil contestar.

Érico Firmo

Comentários

  1. Tá na hora de pedir pra sair...não se gerencia impondo idéias e sim, expondo idéias.

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