Pular para o conteúdo principal

Assine a nossa Newsletter e receba em seu e-mail as principais notícias

 

PolicialBR esta no Google Play | Instale nosso App em seu celular

Comandante escreve tese com 65 páginas para defender caveira como símbolo do Bope; mudança gera crise na PM

A decisão da Polícia Militar da Paraíba de retirar a caveira do emblema do Bope (Batalhão de Operações Especiais), em 22 de março, provocou uma crise na corporação, polêmica e reações de oficiais superiores da corporação.
No fim de março, nove entidades de direitos humanos protocolaram pedido de proibição do uso do símbolo ao governador do Estado, Ricardo Coutinho (PSB-PB), à Secretaria de Segurança Pública e ao comando da PM.
Os grupos alegaram o descumprimento de resolução da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, de dezembro de 2012, segundo a qual “é vedado o uso, em fardamentos e veículos oficiais das polícias, de símbolos e expressões com conteúdo intimidatório ou ameaçador, assim como de frases e jargões em músicas ou jingles de treinamento que façam apologia ao crime e à violência”.
O movimento foi impulsionado pelo deputado federal Luiz Couto (PT-PB), que se manifestou na Câmara de Deputados contra o emblema. Diante da pressão política, o comando da PM publicou no boletim interno a proibição. Policiais reclamaram não ter havido discussão interna antes da decisão.
Comandante que vestira farda preta assinou medida
Oito dias antes de assinar o boletim interno, o comandante-geral da PM, coronel Euller Chaves, manifestara seu apoio ao Bope, ao trajar a farda preta ornada por uma caveira, na comemoração do primeiro aniversário do batalhão. A bandeira da unidade, com a caveira trespassada por um punhal sobre o mapa da Paraíba, foi hasteada, e Euller gritou ao microfone: “Caveira!”
No dia 22, entretanto, o Bope deixou de usar em seus uniformes e viaturas a "caveira", símbolo de operações especiais no mundo. A página da unidade no Facebook, porém, manteve o símbolo da caveira com o punhal como imagem principal.
Caveira foi banida do símbolo do Bope da Paraíba
A medida está gerando protestos formais na PM-PB. Fundador e ex-comandante do Grupo Especial Tático – embrião do Bope –, o tenente-coronel Onivan Elias de Oliveira, coordenador de Planejamento do Estado-Maior da PM, escreveu um trabalho para defender a manutenção do símbolo do Bope e o protocolou no Estado-Maior da PM.
Para ele, a decisão “mexeu com os simbolismos, as tradições, os brios e a cultura da Instituição pública mais antiga do Estado da Paraíba” e abalou a tropa. O texto, com 65 páginas, é intitulado “O símbolo da Caveira e de Animal nas Forças de Operações Especiais Militares e Policiais no Brasil e as interpretações: uma (in)justiça para quem interpreta diante de contextos imaginários ideológicos”.
Segundo a unidade, o emblema do Bope abolido é um escudo português cinza, contornado em preto, representando o sigilo das operações especiais e a disposição de operar nas atividades rotineiras como nas missões intempestivas. "Ao centro, a caveira (crânio), símbolo da Inteligência e da coragem de um guerreiro e do desprendimento pessoal para o cumprimento da missão, cravada com a espada da justiça, simbolizando a 'vitória da vida sobre a morte'; ou seja, superando e vencendo a morte e o mal na Paraíba, representado pelo mapa ao fundo; as garruchas simbolizam as polícias militares." 
"Atirei o pau no gato"
Major Bisneto (de preto), comandante do Bope-PB refutou a proibição da caveira
Para contestar a ideia de que a caveira levaria à agressividade, Onivan cita símbolos como a espada do Ministério Público da Paraíba – que poderia ser interpretado como ligada à violência –, a cruz da igreja cristã – suplício e tortura? – ou a cobra, emblema da medicina. Diz ainda que cantigas de ninar, como “Atirei o pau no gato” não desenvolvem nas crianças desejo de matar bichos.
Para o oficial, a caveira tem a simbologia de “fazer lembrar que a morte dele é uma companheira inseparável devido ao alto nível de risco das missões a serem cumpridas”, diz. “Muito da motivação e comprometimento com o serviço dos grupamentos sociais decorrem de seus símbolos, ritos e místicas que são transmitidos de geração a geração”.
O tenente-coronel da PM de Pernambuco Walter Benjamin, citado no trabalho, afirma que “quando tropas policiais ou das forças armadas utilizam a caveira, não é a idolatria à caveira e sim ao simbolismo causado nela”.
Imagem não corresponde à realidade, diz oficial
Bope da Paraíba tem apenas um ano de vida, mas é originário de unidades criadas em 1996
A caveira é símbolo dos comandos do Exército Brasileiro e dos comandos anfíbios, da Marinha (cujo distintivo é uma caveira alada), assim como a onça representa os especialistas em guerra na selva. Diz-se que o mito da caveira teria nascido quando um comando francês (unidade de operações especiais cujo símbolo era uma adaga) durante a 2ª Guerra Mundial cravou sua adaga em uma caveira que enfeitava a mesa de um oficial nazista alemão. Esse gesto de “faca na caveira” – hoje um brado – simbolizaria a vitória sobre a morte.
Segundo o tenente-coronel Onivan, a imagem de violência não corresponde à realidade paraibana porque, desde 1996, ano de criação do Grupo Especial Tático (GET), nenhum integrante do Bope ou das unidades precursoras sofreu condenação judicial por violência, arbitrariedade, abuso de poder ou tortura. Nas 16 rebeliões prisionais do Estado no ano de vida do Bope, todas foram controladas, sem nenhuma nenhuma morte, após a entrada da unidade - houve mortes antes. “Provado com isto, que não é um símbolo, uma canção, um jingle que irá estimular a prática de tais atos”, afirmou.
Dos 331 integrantes do Bope, cerca de 150 têm comportamento “excepcional” (sem punição em oito anos de serviço), e 85 “ótimo” (quatro anos sem punição). Apenas seis foram punidos em um ano. “Não se encontra eco ou respaldo a assertiva das entidades no campo do real, do concreto, do quantificável ou do mensurável. Permanece assim, no campo da ilação, da ‘alucinação’, do imaginário e da suposição ou ‘torcida negativa’ para que os pacificadores sociais do BOPE/PMPB façam uso de tal prática.”
Comandos, forças especiais do Exército Brasileiro, também têm a caveira como símbolo
Segundo o tenente-coronel, a resolução federal apenas recomenda práticas para as polícias brasileiras, mas não tem caráter impositivo. Para ele, “a valoração do que venha de ‘conteúdo intimidatório ou ameaçador’ ficará exclusivamente por conta da mente que decodificará o símbolo ou expressão como sendo agressivo”.
O comandante do Bope-PB , major Jerônimo Bisneto, também manifestou seu desagrado com a medida em documento ao comandante-geral da PM. “Para nós, policiais militares, a caveira simboliza poder, força e invencibilidade. Um poder que, segundo a sociologia, é a habilidade de impor a vontade da lei sobre os outros. A força que representa a superação do treinamento e do rigor da vida policial militar, além do Estado forte que representamos, (...) e, por fim a invencibilidade de nossa caveira, simbolizando que a Polícia Militar deve ser invencível frente à criminalidade em nosso Estado.”
Oficiais da PM de 22 Estados manifestaram apoio ao símbolo na Paraíba.
Para conselho de direitos humanos, símbolo é apologia à violência
No texto que pediu a abolição do símbolo, as entidades de direitos humanos afirmam que símbolos como a caveira “fazem apologia ao crime e à violência, com a escusa de que policiais militares se sentem mais estimulados para o trabalho.”
“Essa permissividade contraria princípios constitucionais, tratados de direitos humanos e a resolução ministerial acima mencionada, afrontando o Estado Democrático de Direito. É sabido que a violência impregnada nesses símbolos e práticas desumaniza os trabalhadores da Segurança Pública que acabam manifestando o ódio e a raiva aprendidos no treinamento dispensado à população jovem, negra e mais pobre do Estado, além de contrariar a política de segurança em voga pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Paraíba e do governo do Estado da Paraíba”, escreveram as entidades.
Bope do Rio
Unidade de intervenção Tática do Bope, à frente do símbolo da caveira
Em 2001, o então deputado estadual do Rio Chico Alencar, hoje na Câmara dos Deputados, também defendeu a extinção do uso da caveira para o Bope fluminense, em projeto de lei. "O BOPE não é uma instituição autônoma, com símbolos próprios, nem 'tropa de elite' que atua de forma independente. (...) Caveira, além do mau gosto, é incitação ao ódio contra o 'inimigo' acoitado entre a população pobre, que tem que aturar despotismo de todo lado (...) Segurança Pública não é um estado guerreiro e ameaçador, com a mesma linguagem do banditismo que diz combater!", justificou. A tentativa de Alencar não prosperou, entretanto.
Em sua tese de mestrado “Vitória sobre a Morte: A Glória Prometida”, o ex-capitão do Bope-RJ Paulo Storani, explica o simbolismo do seu “polêmico emblema [criado em 1980]: um disco preto, representando o luto permanente, ornado por uma borda em vermelho, representando o sangue derramado em combate; no centro do disco se inscreve um desenho de crânio humano, representando a morte, com um sabre de combate o trespassando de cima para baixo, representando a vitória sobre a morte em combate; o conjunto é ornado por duas garruchas douradas cruzadas, que simbolizam, internacionalmente, a polícia militarizada”.
Onivan cita o Bope do Rio para dizer que, mesmo com o símbolo da caveira, readaptou sua ação e vem atuando em missões de pacificação de comunidades antes ocupadas pelo tráfico .
IG 

Comentários


| Mais Acessados na Última Semana |

Justiça Militar manda PM reintegrar cabo acusado de matar atriz durante blitz em Presidente Prudente

Decisão publicada nesta quarta-feira (18) atende a um pedido de tutela de urgência feito pela defesa. Marcelo Aparecido Domingos Coelho foi demitido da corporação em abril de 2015. oi publicada nesta quarta-feira (18) no Diário da Justiça Militar a decisão do juiz substituto da 2ª Auditoria do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJM-SP), Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, que determina a imediata reintegração de Marcelo Aparecido Domingos Coelho aos quadros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em abril de 2015, o então cabo da PM foi demitido pela corporação, após ser acusado no processo que envolveu a morte da atriz e produtora cultural Luana Barbosa durante uma blitz policial na Avenida Joaquim Constantino, na Vila Formosa, em Presidente Prudente.
O juiz levou em consideração a absolvição que Coelho obteve na Justiça Militar, sob o argumento de “legítima defesa” e do “estrito cumprimento do dever legal”, o que, segundo o magistrado, de certa forma, contradiz c…

Policial civil morto em mega-assalto a empresa de valores é enterrado

Vítima foi morta a tiros durante ação dos criminosos que explodiram sede da Protege em Araçatuba (SP). Policial estava de folga. O corpo do policial civil André Luís Ferro da Silva, morto durante o mega-assalto a empresa Protege em Araçatuba (SP) nesta segunda-feira (16), foi enterrado na manhã desta terça-feira (17) em um cemitério particular da cidade. Ferro tinha 37 anos e foi baleado durante a ação. Ele foi socorrido com vida, mas morreu durante atendimento na Santa Casa. Silva era investigador e integrante do Grupo de Operações Especiais (GOE), e deixou filhos e a esposa.
O velório da vítima foi feito em um salão de uma funerária em Araçatuba e, do local, o caixão seguiu em um caminhão do Corpo de Bombeiros em cortejo com viaturas das polícias Militar e Civil até o cemitério. Segundo a Polícia Militar, o policial civil estava de folga do serviço e foi ao local para ver o que acontecia após ser chamado pelos pais, que moram perto da sede da Protege.
O grupo criminoso, cerca de 40 la…

Alckmin propõe reajuste de 7% para policiais

ATENÇÃO- ATENÇÃO ESTA NOTÍCIA É DO ANO DE 2013 E ESTA CIRCULANDO NAS REDES SOCIAIS COMO SENDO ATUAL

O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta sexta-feira, 13, o envio à Assembleia Legislativa de um projeto de lei que concede aumento salarial de 7% para os membros da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Técnico-Científica. O reajuste também será estendido aos agentes penitenciários. Aposentados e pensionistas das quatro categorias também terão o mesmo benefício. No total, serão beneficiados 172 mil policiais militares, 53 mil policiais civis e 33 mil agentes penitenciários. O custo para o Tesouro do Estado será de R$ 983 milhões por ano. Esta é a terceira vez que o governador Alckmin concede aumento salarial acima da inflação do período. Desde o último reajuste, o índice oficial de inflação acumulada é 5,66%. Em outubro de 2011, os policiais tiveram 15% de aumento retroativo a julho de 2011. Em agosto de 2012, o aumento foi de 11%. Com a nova proposta, o reajus…

PL 920: uma bomba atômica no funcionalismo público que Alckmin quer ver aprovado a todo custo.

O governador Geraldo Alckmin protocolou na quinta-feira, 5/10, o Projeto de Lei 920/2017, que representa uma verdadeira bomba atômica no Estado de São Paulo, sobretudo um verdadeiro ataque aos servidores estaduais e à prestação de serviços públicos. Publicado no Diário Oficial já no dia seguinte, o PL formaliza a renegociação da dívida de São Paulo com a União, ampliando o prazo de pagamento.
            Em contrapartida, o Estado se compromete a cumprir as exigências do governo federal, que impõe um verdadeiro arrocho salarial sobre os servidores públicos. Essa cruel punição aos servidores foi aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional. Seu embrião foi o PLP 257, apresentado pela presidente Dilma, que depois foi maquiado pelo governo Temer e transformado na Lei Complementar federal 156/2016.
            Se o PL 920 for aprovado – e espero que não seja –, haverá um congelamento não só de salários, mas também da evolução funcional de todos os servidores estaduais, ficando suspens…

Mais de 1 milhão de votos foram validados no Prêmio Congresso em Foco. Deputado Capitão Augusto esta entre os melhores de 2017.

Um dos três filtros desta décima edição do Prêmio Congresso em Foco 2017, a consulta popular na internet para a escolha dos melhores deputados e senadores do ano teve 1.034.683 votos validados, distribuídos por 130.113 pessoas, entre 1º e 30 de setembro. Os participantes da votação digital podem ter certeza de uma coisa: poucas consultas feitas pela internet são tão bem monitoradas quanto esta. Os vencedores serão conhecidos na próxima quinta-feira (19), na festa de premiação, a ser realizada no Unique Palace, a partir das 20 horas.
Desta vez, foi adotado o sistema de votação desenvolvido pela mais conceituada empresa de software de pesquisas do mundo, a Survey Monkey,  companhia norte-americana reconhecida mundialmente por sua capacidade de processamento e segurança de dados, e também pela auditoria realizada diariamente em cada um dos votos recebidos. Esses votos passam inicialmente pela checagem e filtragem dos seus números de Internet Protocol – o famoso IP, número pelo qual o di…