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Investigadores de São Paulo são presos suspeitos de desviar drogas

PF encontrou 268 kg de cocaína em uma das apreensões.
Seis investigadores são do Denarc e um é da Polícia Civil de Sorocaba.
Sete investigadores da Polícia Civil estão presos suspeitos de desviar drogas que deveriam apreender. Seis são policiais do Denarc de São Paulo e um é da Polícia Civil de Sorocaba, no interior.
Uma anotação encontrada pela polícia é uma das provas contra os investigadores. Segundo a Polícia Federal, na anotação estão informações de como a quadrilha fazia a divisão da droga. As letras são as iniciais dos nomes dos traficantes e policiais presos, suspeitos de desviar drogas apreendidas.
A letra G, segundo a polícia, seria a inicial de Gustavo Gomes – um dos policiais presos. O número 20 representa os 20 kg de cocaína que ele iria receber. Em uma das apreensões, os policiais encontraram 268 kg de cocaína. A abreviação APRE, segundo a PF, mostra que apenas 38 kg foram entregues ao Denarc.
A Polícia Federal acompanhou de perto o golpe. O investigador do Denarc, Alexandre Lages, se passou por empresário interessado em comprar drogas e marcou a transação em um shopping da capital paulista. Na hora de receber o carregamento, os policiais apareceram e deram o golpe. Um deles ligou para Alexandre:
Gustavo: Viu... É o seguinte: nós demos o bote aqui.
Alexandre: Ah...
Os traficantes pagaram aos policiais R$ 500 mil de propina para não serem presos e deixaram os 268 kg de cocaína. De acordo com a polícia, 133 kg seriam vendidos na região de Sorocaba, no interior de São Paulo, mas tudo já estava sendo monitorado pela PF. No caminho, os três policiais e mais dois traficantes foram presos.
Já preso, Alexandre ligou para a mulher:
Alexandre: Abre meu cofre, tira tudo que tem dentro, bota numa sacola. Não queira saber o que tem que isso não te interessa.
A mulher obedeceu, mas não adiantou. A PF encontrou mais 175 kg da droga e uma mala cheia de dólares, que estavam em poder de Alexandre.
Segundo Polícia Federal, esse não foi o único golpe que os sete policiais aplicaram. Só nos últimos seis meses, o grupo teria negociado três toneladas de cocaína.
“Eles não trabalhavam com coisa pequena. Era uma média de 200 kg, 300 kg de cocaína em cada situação. Não foram uma ou duas, foram várias”, relata o delegado-chefe da Polícia Federal Roberto Boreli Zuzi.
Um dos traficantes que, segundo a polícia, pagou propina aos traficantes presos é o boliviano Heber Escalante, conhecido como o Senhor das Armas. Isso porque ele também seria um dos principais fornecedores de armamento para uma facção criminosa que age em São Paulo. No celular dele, a polícia encontrou várias fotos de armas e drogas, além de um vídeo de um homem supostamente sequestrado.
O advogado Gilberto Vieira, que representa o policial Gustavo Gomes, contesta as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. Ele disse que o cliente não têm vínculo com os  policiais detidos em flagrante. Leonardo Pantaleão, advogado de Alexandre Lages, não quis se manifestar.
Hilton Tozetto, que defende Heber Escalante, o Senhor das Armas, negou que o cliente seja traficante e tenha pago propina aos policiais. Informou ainda que o boliviano ganha dinheiro organizando festas e que o celular com o vídeo de um refém preso foi comprado de uma outra pessoa. E ele não viu que as fotos estavam no aparelho.
A Secretaria da Segurança Pública disse que não tolera delitos de qualquer natureza e que se for comprovado os procedimentos, os servidores serão demitidos. Que a prisão dos investigadores ocorreu em ação conjunta da Polícia Federal com a Polícia Civil.
Sorocaba, SP

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