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PM será indiciado por morte a tiros de jovem de 15 anos em Ribeirão

O policial militar que teria atirado e matado o adolescente Luciano Ângelo de Lima Filho em outubro do ano passado na Zona Oeste de Ribeirão Preto (SP) será indiciado pelo crime de homicídio, segundo o delegado Samuel Zanferdini, responsável pelo caso. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (20) durante a reconstituição feita pela polícia. O suspeito não participou dos trabalhos da perícia.
De acordo Zanferdini, o policial apontado continua trabalhando nas ruas. O suspeito nega as acusações de que tenha atirado nas costas do garoto, conforme aponta o laudo pericial, que mostrou a trajetória feita pela bala no corpo da vítima.
Vestida com camisetas estampadas com a foto de Luciano, que tinha 15 anos, a família acompanhou os trabalhos da perícia e afirmou que espera justiça.
Procurada, a Polícia Militar não se manifestou sobre o assunto.

O caso
Luciano foi morto com um tiro no dia 8 de outubro do ano passado. Segundo a Polícia Civil, o menor foi baleado pelo soldado perto de um posto de combustíveis na Avenida Patriarca. A polícia informou que apesar de ter utilizado o revólver da PM, o soldado não estava em horário de serviço. O adolescente chegou a ser encaminhado para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
Em depoimento, o soldado disse que atirou por legítima defesa porque o menor teria tentado assaltá-lo com a ajuda de um comparsa. Entretanto, o exame necroscópico realizado no corpo da vítima mostrou que a bala entrou pelas costas, atravessou o fígado, o coração e o pulmão, saindo próximo ao ombro.
Câmeras de segurança do posto registraram o momento em que o menino baleado caiu em frente ao estabelecimento.
A família alega que no dia do crime o menor teria saído com um amigo, após o trabalho, para encher o pneu da bicicleta. O adolescente que estava com Luciano confirmou a versão à polícia. Em depoimento no dia 10 de outubro, o menor contou que ambos teriam chutado cones próximos a uma obra na Avenida Patriarca, quando foram agredidos pelo PM que mora há 100 metros do local.
As duas versões foram reconstituídas na manhã desta quarta-feira. Segundo Zanferdini, o soldado será indiciado por homicídio simples. “Já temos nos autos as condições necessárias para o indiciamento", afirmou.
O advogado da família de Luciano, Paulo Henrique Brandão, disse que a reconstituição é importante, mas que acredita que o delegado já não tenha mais dúvidas quanto ao homicídio. "A alegação de que houve uma tentativa de assalto ou de que o garoto estivesse armado não procede. A trajetória da bala indica que ele estava debruçado na bicicleta e o tiro foi nas costas", diz Brandão. Sobre o revólver entregue pelo soldado à Polícia Civil como se tivesse sido usado por Luciano, o advogado disse que tudo indica que o revólver tenha sido 'plantado' para encobrir o crime.
Família
Os familiares do adolescente que acompanharam a reconstituição dizem estar com medo pelo fato do soldado suspeito ainda estar solto. "É um absurdo que o policial ainda esteja trabalhando e livre. Estou com medo que ele possa fazer alguma coisa. Ele pode fazer a mesma coisa que fez com o meu filho", diz o pai da vítima, Luciano Ângelo de Lima.
"Espero que a justiça seja feita e espero que tudo seja esclarecido. Está sendo tudo muito difícil, mas a vida segue e a gente tem que caminhar", afirma a mãe, Jaqueline Serafim Costa. (G1).

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