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Ônibus de turismo são incendiados em Rio Negrinho, no Norte de SC


Três homens com encapuzados atearam fogo nos veículos.
Este é o 111º ataque confirmado pela Polícia Militar no estado.
O número de atentados em Santa Catarina chegou a 111 nesta segunda-feira (18). A Polícia Militar confirmou mais quatro ataques entre a noite de domingo (17) e esta madrugada. Rio Negrinho e Água Doce entraram para a lista de cidades atingidas, totalizando 36 municípios atacados desde 30 de janeiro.
A Polícia Militar confirmou como ataque um incêndio a ônibus de turismo que estavam estacionados dentro da garagem, em Rio Negrinho, no Norte de Santa Catarina. Foi na madrugada desta segunda-feira (18), por volta da 0h. De acordo com a Polícia Militar do município foram três ônibus, mas a Sala de Situação do Comando-Geral e o Corpo de Bombeiros confirmam que apenas dois veículos foram atingidos.
Segundo a PM, câmeras de monitoramento do local mostram que três homens com rosto coberto pularam o muro e invadiram a garagem. Eles carregavam vidros com líquido inflamável e jogaram contra os veículos. O dono do estabelecimento mora em uma casa que fica no mesmo terreno da garagem. Ele estava chegando na residência quando o fogo começou e acionou os Bombeiros.
Os socorristas contam que, ao tentar retirar de marcha-ré um dos veículos da garagem, o proprietário acabou batendo em um carro que estava atrás. O automóvel foi empurrado e encostou na parede da casa. As chamas do ônibus foram controladas antes de atingirem o carro e a residência. Este foi o primeiro ataque confirmado em Rio Negrinho.
Ainda na madrugada desta segunda-feira, na rua Francisco Estácio Martins, em Joinville, no Norte, um carro foi queimado parcialmente na parte dianteira. O veículo estava dentro do terreno da residência do proprietário. De acordo com a Polícia Militar, uma garrafa pet com combustível, colocada embaixo do motor, foi usada para ignição. Não houve vítimas, apenas danos materiais.
Às 23h de domingo (17), uma caminhonete foi totalmente incendiada quando estava estacionada na avenida Aniceto Zacchi, em Palhoça, na Grande Florianópolis. A Polícia Militar informou que homens em um veículo de cor escura teriam jogado gasolina na caminhonete e ateado fogo. Moradores teriam visto uma motocicleta no momento do crime.
Uma base da Polícia Militar, no Centro de Água Doce, foi alvo de um disparo de arma de fogo que atingiu a porta de vidro às 22h15. No momento do disparo havia um policial militar no interior da base, que não se feriu. O policial afirmou que não escutou barulho de carro ou moto no momento da ação criminosa.
Transferência de presos
Uma ação conjunta entre o governo de Santa Catarina e o Governo Federal transferiu 40 presos vinculados a facções criminosas para presídios federais por volta das 10h30 de sábado (16). Um avião partiu da Base Aérea de Florianópolis em direção a Mossoró (RN), onde ficarão 37 detentos, e Porto Velho (RO), destino de outros três. Dos 40 presos transferidos, 22 saíram do presídio São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis.
Segundo a governo de Santa Catarina, também foram transferidos detentos de São José, Florianópolis, Joinville, Criciúma e Itajaí. Nos dias que antecederam a ação, o Departamento de Administração Prisional (Deap) já havia concentrado nessas unidades presos de outras regiões do estado para que fossem alvos desta transferência. Em entrevista coletiva na manhã deste sábado (16), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou que ainda poderão ser cedidas mais vagas em presídios federais.
Mandados de prisão
A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou, no sábado (16), parte das pessoas presas na força-tarefa realizada nas últimas horas pela instituição no estado. Ao todo, a ação cumpriu 70 mandados de prisão dentre 97 expedidos pela Justiça. Um efetivo segue nas ruas para terminar a operação.
Dos 70 mandados, 25 foram cumpridos com suspeitos que atuavam de fora dos presídios catarinenses. Os outros 45 mandados restantes envolvem presos, que, de dentro dos presídios, organizavam as ações que ocorriam do lado de fora. Entre os presos, estavam cinco advogados e familiares de criminosos que colaboravam com os atentados.
Entenda o caso
A segunda onda de atentados em Santa Catarina começou na noite de 30 de janeiro, no Vale do Itajaí. Até as 8h desta segunda-feira (18), a Polícia Militar havia confirmado 111 ataques. Veículos foram incendiados e foram disparados tiros e jogados coquetéis-molotovs contra prédios públicos. As ocorrências foram registradas em 36 municípios: Navegantes, São José, Florianópolis, Criciúma, Itajaí, Palhoça, Camboriú, São Francisco do Sul, Laguna, Araquari, Gaspar, Joinville, Balneário Camboriú, Jaraguá do Sul, Maracajá, Ilhota, Tubarão, Chapecó, Indaial, Brusque, Blumenau, Garuva, Bom Retiro, São Bento do Sul, Rio do Sul, Porto União, São João Batista, São Miguel do Oeste, Içara, Imbituba, Guaramirim, Campos Novos, Balneário Rincão, Itapoá, Água Doce e Rio Negrinho.
O policiamento foi reforçado em todas as regiões. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a suspeita é de que as ordens sejam comandadas por uma facção criminosa e partam de dentro dos presídios. As autoridades investigam a relação dos ataques com denúncias de maus-tratos no Presídio de Joinville e com transferências de detentos no sistema prisional do estado. Em Joinville e Florianópolis, são feitas escalas especiais de escolta para os ônibus do transporte coletivo.
Em novembro de 2012, quando aconteceu a primeira onda de atentados, durante sete dias foram confirmados 58 atentados em 16 municípios catarinenses. Os ataques cessaram depois do anúncio da saída do diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.
Do G1 SC

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