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Casa de irmã de policial é incendiada e número de ataques sobe para 106


Uma casa foi incendiada no início da manhã deste sábado (16) na entrada Sul para o Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina. Com esta ocorrência, subiu para 106 o número de ataques no estado. De acordo com o relatório da Polícia Militar, já são 33 cidades atingidas desde 30 de janeiro.
Por volta das 6h deste sábado, bombeiros foram acionados por populares devido a um incêndio e no local verificaram que havia três garrafas de álcool. A Polícia Militar que constatou que a residência é da irmã de um policial civil. O fogo apenas queimou as aberturas da casa e um pedaço do forro de um dos quartos. Esta foi a primeira ocorrência em Balneário Rincão.
Ainda na madrugada deste sábado, a Polícia Militar registrou mais dois atentados em Santa Catarina. Houve ataque pela primeira vez em Campos Novos, no Oeste. Na cidade, um ônibus foi incendiado por volta das 4h. Em seguida, no Norte, no município de Itapoá, outro veículo ficou completamente destruído por chamas. Criminosos atearam fogo a um ônibus dentro da garagem de uma empresa de transporte coletivo, às 5h.
Força Nacional em Santa Catarina
A segunda onda de atentados continua mesmo após a chegada da Força Nacional a Santa Catarina, na sexta-feira (15). De acordo com a Polícia Militar, operações de repressão, aliadas com os homens da Força Nacional, estarão em vigor durante todo o sábado. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou cinco medidas, na manhã deste sábado, para conter os ataques de violência que atingem Santa Catarina. As ações envolvem transferência de presos para presídios federais, prisões, vinda de homens da Força Nacional ao estado, a criação da Operação Divisa e a formação de uma Frente Nacional de Defensores Públicos. Segundo José Eduardo Cardozo, há ainda, outras operações que serão realizadas sem serem divulgadas, em função de segurança.
 Ministro da Justiça anuncia bloqueios por terra, mar e ar em Santa Catarina
Ao longo de mais de uma hora, no fim da manhã deste sábado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Estado, Raimundo Colombo, falaram sobre as operações deflagradas desde a madrugada para conter a onda de violência em Santa Catarina.
Cardozo, que dominou a maior parte da entrevista coletiva, confirmou a transferência de 40 presos para penitenciárias de segurança máxima federais e anunciou a deflagração da Operação Divisa. Segundo ele, a ação tem o objetivo de asfixiar financeiramente o Primeiro Grupo da Capital (PGC).
— Haverá um cerco policial nas divisas do Estado, feito em três modais: terrestre, aéreo e marítimo. Haverá barreiras fixas em vários locais e veículos transitando para realizar abordagens. Será uma fiscalização intensa, uma operação pente-fino — anunciou o ministro, pedindo paciência à população que trafegar por estradas.
Cardozo também disse que, até então, 25 pessoas já haviam sido presas em operações policiais desde a madrugada. E acrescentou:
— Entre os que foram presos, existem advogados. E é muito importante dizer que, num estado de direito, ninguém deve ficar à margem da lei. Espírito corporativo é legítimo quando defende prerrogativas. E prerrogativas não são privilégios. Havia indícios de que esses advogados detidos tinham envolvimento com o crime organizado.
Sobre a Força Nacional, o ministro fez questão de dizer que o comando está sob a responsabilidade do coronel Nazareno Marcineiro, da PM, para afastar qualquer indício de intervenção federal. Por outro lado, Cardozo foi quem dominou o pronunciamento, anunciando as principais medidas.
O governador Colombo, que falou no início e no fim da entrevista, destacou que essa a maior operação policial já vista no Estado. Tanto ele quanto o ministro também se desculparam pelo sigilo das informações nos últimos dias, para não comprometer a operação.
Segundo o governador, o trabalho conjunto entre governo federal e estadual já vinha sendo articulado deste o início dos ataques e as tropas estavam prontas para chegar ao Estado em duas horas e trinta minutos após o primeiro chamado.
— Decidimos chamá-los depois do Carnaval para garantirmos ainda mais a segurança da população e do andamento da operação — afirmou Raimundo Colombo.
O governador disse também que com esta operação o Estado rompeu “o cordão umbilical” do crime organizado em Santa Catarina e que as ações em conjunto com a Força Nacional continuam por tempo indeterminado. O ministro complementou:
— Estamos deixando à disposição do Estado quantas vagas em penitenciárias federais de segurança máxima forem necessárias. Hoje foram 40 transferências, mas podem ser mais.

Entenda o caso
A segunda onda de atentados em Santa Catarina começou na noite de 30 de janeiro, no Vale do Itajaí. Até as 11h deste sábado (16), a Polícia Militar havia confirmado 106 ataques. Veículos foram incendiados e foram disparados tiros e jogados coquetéis-molotovs contra prédios públicos. As ocorrências foram registradas em 33 municípios: Navegantes, São José, Florianópolis, Criciúma, Itajaí, Palhoça, Camboriú, São Francisco do Sul, Laguna, Araquari, Gaspar, Joinville, Balneário Camboriú, Jaraguá do Sul, Maracajá, Ilhota, Tubarão, Chapecó, Indaial, Brusque, Blumenau, Garuva, Bom Retiro, São Bento do Sul, Rio do Sul, Porto União, São João Batista, São Miguel do Oeste, Içara, Imbituba, Guaramirim, Campos Novos e Balneário Rincão.
O policiamento foi reforçado em todas as regiões. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a suspeita é de que as ordens sejam comandadas por uma facção criminosa e partam de dentro dos presídios. As autoridades investigam a relação dos ataques com denúncias de maus-tratos no Presídio de Joinville e com transferências de detentos no sistema prisional do estado. Em Joinville e Florianópolis, são feitas escalas especiais de escolta para os ônibus do transporte coletivo.
Em novembro de 2012, quando aconteceu a primeira onda de atentados, durante sete dias foram confirmados 58 atentados em 16 municípios catarinenses. Os ataques cessaram depois do anúncio da saída do diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.

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