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O ex-comandante da PMRJ depõem como testemunha no caso do assassinato da juíza Patrícia Acioli e irrita promotoria

A defesa dos três réus acusados de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli causou polêmica logo na primeira testemunha que arrolou no julgamento que ocorre no 3º Tribunal do Júri de Niterói. Foi chamado o ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro Mário Sérgio de Brito Duarte. Ele causou grande irritação na promotoria quando começou a analisar o inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios e apontou inconsistências nos depoimentos dos réus.
"Jamais presenciei isso num júri. A testemunha depõe sobre fatos. Isso é um absurdo. A testemunha está atuando como corregedor da investigação", afirmou o promotor Rubem Viana. "Acho melhor colocar o coronel na estrutura de defesa."
O juiz Peterson Barroso permitiu a Duarte terminar de falar sobre as inconsistências que tocavam apenas em divergências nos depoimentos de Sérgio Costa Júnior, que já foi condenado pelo crime, e de Jeferson de Araújo Miranda, que está sendo julgado agora. "No primeiro depoimento, Jeferson disse que ficou no Fórum vigiando a saída da juíza. No segundo, já não sabia quem havia feito este serviço. Depois disse que fora o cabo Araújo", explicou Duarte, que atualmente é secretário de segurança de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Duarte foi quem decidiu retirar a escolta pessoal da juíza pouco antes do crime. Foi ele também que designou o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, considerado pelo Ministério Público o mandante do assassinato e atualmente preso, como comandante do 7º BPM (São Gonçalo). Isso obrigou-lhe a pedir demissão do principal cargo da PM fluminense.
"Minha carreira acabou por causa deste assassinato e também a dos coronéis que eu indiquei para os demais batalhões, policiais que participaram da pacificação do Rio de Janeiro, todos em média com 40 anos", afirmou Duarte. "A escolta da juíza foi tirada em 2007 também. Nenhum juiz tinha escolta. Aliás, não era nem escolta dela, eram dois policiais destacados para a 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. A juíza jamais me comunicou que estava ameaçada. Se tivesse feito isso, eu teria tomado providências."
O testemunho de Duarte causou irritação da promotoria até o fim. "O senhor é testemunha neste processo, não é réu, embora pareça que queria ser. O senhor não foi acusado de envolvimento no crime, não precisa se defender", questionou o promotor Leandro Navega.
O assassinato de Patrícia Acioli
Patrícia foi assassinada com 21 tiros em agosto de 2011 quando chegava em sua casa, em Piratininga, Niterói. O caso teve a primeira condenação em dezembro do ano passado quando o cabo da polícia militar Sérgio Costa Junior, réu confesso, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele admitiu ter atirado 15 vezes na juíza e obteve a delação premiada, que diminuiu em 15 anos a sua pena.
A Justiça ainda não tem data para os julgamentos dos dois principais acusados do crime: o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo) na época do assassinato e teria sido o mandante do assassinato, e o tenente Daniel dos Santos Benitez, que chefiava diretamente o grupo de PMs acusados do crime. (Terra).

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