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Greve da PM mais violenta da história da Bahia completa um ano

Um ano. Há exatos 365 dias, às vésperas da maior festa popular do mundo, foi deflarada na Bahia uma histórica greve da Polícia Militar. A notícia da paralisação foi confirmada na tarde de 31 de janeiro de 2012, após assembleia da categoria realizada no Ginásio dos Bancários. No momento em que foi anunciada a greve, ainda não se tinha a dimensão da repercussão e da violência geradas em função da greve. No período de 13 dias, foram cometidos 172 homicídios em Salvador e na região metropolina.
Liderados por Marcos Prisco, os grevistas reivindicavam reajuste salarial para toda a categoria, além da melhoria das condições de trabalho. O impasse foi estabelecido porque o governador do Estado, Jaques Wagner, não aceitada as condições impostas pelo movimento grevista.
A categoria cobrava o cumprimento da lei 7.145 de 1997, com pagamento imediato da Gratificação de Atividade Policial (GAP) V, incorporação da GAP V ao soldo, regulamentação do pagamento de auxílio acidente, periculosidade e insalubridade, cumprimento da lei da anistia e a criação do código de ética, além da criação de uma comissão para discutir um plano de carreira para a categoria. Após não serem atendidos, os policiais militares decidiram ocupar pacificamente a sede da Assembleia Legislativa da Bahia.
Sem policiais nas ruas, o espaço ficou livre para a bandidagem. O índice de violência cresceu assustadoramente em Salvador e no interior do estado. No dia 3 de janeiro, o governo do Estado teve que apelar à Força Nacional de Segurança com o objetivo de freiar a onda de violência instaurada no estado.

O que já estava ruim ficou ainda pior. Atentados começaram acontecer em todo o estado e policiais que faziam parte do movimento grevista foram acusados de participação. À essa altura, O líder Marcos Prisco negava o envolvimento de grevistas na onda de violência.
Neste momento, o estado de insegurança instaurado na Bahia greve já repercutia nacionalmente e internacionalmente, inclusive, com dúvidas sobre a realização do Carnaval em Salvador, que começaria no dia 16 de fevereiro. 
Com a chegada da Força Nacional e a consequente queda nos índices de violência, o movimento grevista começou a enfraquecer. Primeiro no interior do estado, depois na capital. Integrantes do comando da paralisação foram pegos em escutas telefônicas comandando ações de vandalismo.   

No dia 12 de janeiro, a decisão oficial de retomar as atividades foi tomada durante assembleia da categoria. Depois da intensa queda de braço, os militares desistiram de cobrar a revogação das prisões de dirigentes da Aspra e abriram mão da anistia geral para todos os manifestantes. Prisco e os comandantes da greve saíram da Assembleia Legislativa para a cadeia. 
Os PMs garantiram que iriam procurar a Justiça para tentar a libertação dos "companheiros" presos. A proposta do governo foi mantida: os militares terão reajuste de 6,5% retroativo a janeiro deste ano e receberão as GAP 4 e 5 diluídas ao longo de 2013, 2014 e 2015. Além disso, a segurança do carnaval estaria assegurada, para alegria de baianos e turistas.

Apesar de ter um baixo índice de violência durante o Carnaval - a festa de 2012 teve menos ocorrências do que a de 2011, por exemplo - o clima de insegurança, que ainda pairava, esfriou a maior festa popular do mundo. Politicamente, a histórica greve da Polícia Militar também trouxe consequências. Nas eleições municipais, oito meses depois, o candidato apoiado pelo governador Wagner, Nelson Pelegrino, foi derrotado nas urnas. O desgaste causado pela greve da Polícia Militar foi apontado como um fator determinante para a derrota petista.
Já para o comandante grevista, Marco Prisco, a resposta nas urnas foi positiva. Em 25 de março, teve a liberdade concedida. Filiado ao PSDB, o Soldado Prisco chegou à Câmara de Salador, eleito como um dos vereadores mais votados de Salvador. (Bocão News).









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