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Para pesquisadora, contexto de violência e mortes de PMs leva a atos impulsivos

As recentes mortes de PMs criam uma situação em que é natural que os policiais ajam movidos pelo medo. A opinião é da doutora em sociologia e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Camila Nunes.
Folha - Os policiais estão mais assustados?
Camila Nunes - Acho que sim. Esse contexto em que policiais estão sendo executados de forma rotineira provoca uma situação propícia a atos de descontrole, de impulso, gerados por uma reação ao próprio medo. É natural. No caso do bombeiro, ele sabe que se tivessem visto que ele era PM ele poderia ser uma vítima fatal, independentemente da questão do roubo.
O que levou a essa onda de violência?
Vejo as coisas assim: fenômenos como esse são resultados de uma série de fatores, nunca de um fator isolado, mas há sempre aquele fator que detona a crise. O enfrentamento do PCC através da PM, sobretudo pela Rota, que acabou gerando uma alta de criminosos mortos em confrontos com a polícia, foi um fator decisivo para a erupção dessa crise. O fator chave que desencadeou todos esses distúrbios foi aquele caso da invasão da Rota naquele lava-rápido na região da Penha, em que seis pessoas foram mortas. Mas a tensão já vinha vinha se acumulando desde o ano passado.
O Estado perdeu o controle da violência?
Não perdeu o controle, mas é um grande responsável por tudo que está acontecendo, sobretudo quando não tem transparência na solução dos problemas. A imprensa trouxe documentos que provam o envolvimento do PCC com a crise e só agora o governo admite isso. Isso causa uma sensação de incerteza enorme, não só na população, mas também na policia. Acho que é preciso que o governo deixe mais claro aquilo que ele está fazendo para controlar a violência e que não vai tolerar desvios de conduta da sua polícia.
É possível dizer quando a onda de violência acabará?
Há uma redução natural das forças, especialmente do PCC, então não acho possível e plausível que isso se estenda por muito mais tempo numa intensidade forte. O problema é que a volta à normalidade não significa que o problema tenha sido resolvido. A gente corre o risco de depois sofrer outras crises, outros momentos de tensão. (PMB).

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