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Aumento recente de homicídios e os assassinatos de PMs provocaram desentendimentos entre o governo federal e o governo paulista.

Dez assassinatos foram registrados nesta quarta-feira (31), em São Paulo, em meio a uma guerra de versões sobre a ajuda do governo federal à área de segurança do estado. Na busca dos envolvidos nas mortes de PMs, a polícia descobriu uma refinaria de drogas.
120 policiais entraram na Favela São Remo, na Zona Oeste, à procura de sete homens. Eles são suspeitos de matar um PM em setembro. O único preso é Antonio Pereira Soares.
A polícia também encontrou uma refinaria de drogas, com passagem secreta para o ponto de venda, no muro que dá acesso à Universidade de São Paulo. O chefe do tráfico fugiu, mas deixou para trás uma casa, simples por fora, mas sofisticada por dentro.
“Embora ele resida em uma comunidade simples, é cercado por objetos de luxo, eletrodomésticos, residência com banheira, sistema de gás encanado, veículos de luxo”, enumera o major Marcelo Gonzales.
Também houve uma ação contra o tráfico na Favela Funerária, Zona Norte. Há três dias a polícia permanece em Paraisópolis, de onde teria partido a ordem para executar policiais militares. Só nessa semana, mais de uma tonelada de drogas foi apreendida.
“Isso causa sim, de alguma forma, um desconforto no crime organizado. Em qualquer unidade de crime organizado”, afirma o diretor do Departamento de Narcóticos, Wagner Giudice.
As mortes não param. Entre terça (30) e esta quarta (31) mais dez pessoas foram assassinadas na Grande São Paulo. Uma delas foi Josué Manoel do Nascimento, um garçom que chegava do trabalho.
“Confundiram ele com policial, porque ele não tinha nada de inimigo mesmo, inimigo nenhum, uma pessoa super tranquila, uma pessoa do bem, sabe? Super família”, opina uma mulher.
O aumento recente do número de homicídios na Grande São Paulo e os assassinatos de PMs provocaram desentendimentos entre o governo federal e o governo paulista. Brasília oferece parcerias em um plano de inteligência contra o crime.
“Foi em junho deste ano quando procurei o secretário, não para uma visita de cortesia, mas para apresentar a ele dados do serviço de inteligência da Polícia Federal que levavam a nossa preocupação em relação ao que estria acontecendo em São Paulo. O estado de São Paulo disse que não seria necessário porque o que acontecia em São Paulo era fruto de uma glamorização da imprensa”, diz o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Em ofício para o Ministério da Justiça, de 29 de junho de 2012, o governo de São Paulo pede quase R$ 149 milhões em recursos para investimento em segurança, divididos em equipamentos, como scaners, rádios, veículos blindados, entre outros. Até aparelhos de ginástica.
Nessa terça o Ministério da Justiça enviou o ofício para o governo de São Paulo em que nega o pedido e afirma que o governo federal não pode ser um mero fornecedor de recursos para despesas ordinárias dos órgãos de segurança do Estado. Ainda oferece ajuda das forças federais para desenvolver ações a partir de um plano pré-definido, fundado no compartilhamento de informações na área de inteligência policial. Bota a disposição também, vagas nos presídios federais de segurança máxima para abrigar líderes de organizações criminosas.
O secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto, nega que tenha recebido oferta de ajuda do governo federal:
“Se houvesse já teríamos aceitado antes. Ajuda na área de informação e inteligência nós nunca prescindimos. Nós não podemos falar em ajuda dando vagas em presídios federais, nós somos autosuficientes em São Paulo com relação a presos da facção criminosa que estão contidos em penitenciária”.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta que aceita a ajuda federal.
“Quero deixar muito claro que toda ajuda é muito bem-vinda. Nós temos um bom trabalho de integração com a polícia federal”, afirmou.
Entre os dez assassinados nesta quarta em São Paulo, três eram moradores de rua. Segundo o secretário de Segurança, uma lista apreendida em uma favela inclui os nomes de dez policiais que supostamente estariam jurados de morte pelos bandidos.

VEJA A MATÉRIA EM VÍDEO, ACESSE O LINK: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/10/sp-registra-10-mortes-em-meio-guerra-de-versoes-sobre-ajuda-federal.html

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