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A necessidade de recriar mecanismos de representação política

Para dirigente Sem Terra modelo eleitoral está falido e corrompido
A cada dois anos, o país vai às urnas para escolher seus representantes políticos, que à princípio, devem defender os direitos e melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos e cidadãs. No entanto, a cada ano que passa, a situação de exploração e miséria do povo brasileiro continua a mesma.Apesar da mídia reduzir a democracia e a possibilidade de mudanças na sociedade ao voto, para transformar de verdade a situação, o caminho é outro.
Para Egídio Brunetto, integrante da coordenação nacional do MST, o modelo eleitoral burguês está falido e corrompido. “Precisamos consolidar a democracia verdadeira que é a dos movimentos, das discussões. Quando as organizações políticas tiverem capacidade de organizar o povo e usar suas várias formas de luta, pressão e mobilização é que poderemos mudar a correlação de forças para as transformações que são necessárias”, afirma.
Em entrevista ao Jornal Sem Terra, o dirigente deixa claro a necessidade da sociedade brasileira e latino-americana recriar mecanismos de representação para sair da encruzilhada em que se encontra atualmente.
Jornal Sem Terra - Quais são as perspectivas para os próximos quatro anos, diante deste resultado eleitoral que já se desenhou em grande parte do país?
Egídio Brunetto - O grande derrotado foi o povo brasileiro, a esquerda e os movimentos sociais. Estas eleições estão inseridas em um processo que não discute projeto, política e ideologia; onde não há espaço para os grandes desafios nacionais e internacionais. Os candidatos e candidatas se limitaram a apresentar meros planos de metas que não podem ser aplicados em função do modelo econômico. Só se discutiu a periferia dos pontos, deixando de lado temas principais como a dívida pública, externa e a Reforma Agrária (que sequer foi mencionada).
Não se falou da corrupção estrutural da classe dominante, na qual PFL, PSDB e outros partidos são representantes legítimos; da entrega do patrimônio nacional aos grandes grupos econômicos; do roubo através das altas taxas de juros.
Precisamos rearticular as forças em torno de um projeto nacional e popular, que incorpore vários setores da classe média numa luta por soberania. O modelo atual de economia e de organização política explodiu. Por isso, a sociedade precisa começar a recriar instrumentos de organização partidária e sindical, que recupere a auto-estima de nosso povo através da ética, da honestidade, da militância, da solidariedade, da indignação e da luta permanente. O positivo destas eleições é que foi sepultado de vez este modelo de luta sindical e partidária burocrática corporativa, de disputa da máquina a qualquer custo, sem autonomia do Estado e partido.
Jornal Sem Terra – Com você avalia a formação da bancada no Congresso e nas Assembléias Legislativas em geral?
Egídio Brunetto - O Parlamento brasileiro continua desmoralizado e a volta dos picaretas profissionais aumenta seu descrédito. A bancada eleita será igual às outras. Vai continuar a força das oligarquias, de seus interesses corporativos e os ataques aos movimentos. Tudo isso faz parte do processo de criminalização das lutas sociais e de aprovação dos interesses das corporações multinacionais.
Jornal Sem Terra - Até que ponto a via eleitoral pode ser um caminho de mudança?
Egídio Brunetto - Este tipo de eleição é um processo de luta dos partidos que se dá dentro do marco da democracia burguesa. Eleições podem ser um instrumento de transformação quando há, de fato, uma participação popular na construção das administrações dos mandatos. Em alguns países há avanços significativos mas que não resolvem os problemas estruturais do país. A democracia participativa é representada através de suas organizações permanentes que ajudam a construir o desenvolvimento. O modelo eleitoral burguês está falido e corrompido. Precisamos consolidar a democracia verdadeira que é a dos movimentos, das discussões. Quando as organizações políticas tiverem capacidade de organizar o povo e usar suas várias formas de luta, pressão e mobilização é que poderemos mudar a correlação de forças para as transformações que são necessárias.
Jornal Sem Terra - Como você avalia que ficará a criminalização do MST diante deste resultado eleitoral, tanto nos estados quanto no Congresso Nacional?
Egídio Brunetto - A criminalização faz parte da estratégia política imperialista estadunidense que, apesar de global, se aplica em cada realidade diferente. As linhas principais são desmoralizar as organizações ligando-as à corrupção, narcotráfico e terrorismo; o uso do Judiciário; o papel da repressão policial militar e o serviço de infiltração; os grupos paramilitares. No caso da criminalização não basta ter governos populares e progressistas pois as forças de direita continuam as mesmas.
Jornal Sem Terra - Podemos dizer atualmente que a América Latina se divide entre governos de esquerda, outros alinhados aos Estados Unidos e suas políticas imperialistas, e aqueles que ficam “em cima do muro”. Em termos continentais como fica a luta social dos movimentos sociais diante deste quadro político?
Egídio Brunetto - Em geral, há um grande ascenso de massas contra o modelo neoliberal que atinge um alto grau de politização na perspectiva de mudanças que optam por movimentos políticos eleitorais. Neste contexto, vários países elegeram presidentes dentro das regras da democracia burguesa com estados totalmente fragilizados e com dificuldades de resolver os problemas estruturais. Para resolvê-los verdadeiramente é preciso organizações diferentes, capazes de avançar na mudança do papel do Estado e da participação popular.
Por outro lado, os Estados Unidos tentam combater estes governos que enfrentam sua política através de negociações bilaterais, impondo sua política econômica. De forma geral as contradições são enormes. Por isso o ascenso de massas será permanente com pequenas variações. Porque nem o neoliberalismo e nem o modelo de democracia burguesa representativa irá resolver os problemas do povo latino-americano. Sem organização e teoria revolucionaria não haverá mudanças importantes no continente.
Quem é
Nascido no Rio Grande do Sul, Egídio Brunetto colaborou na formação do MST em Santa Catarina, onde é assentado. Iniciou sua militância em 1984 e desde 1981 atua no Mato Grosso do Sul. É integrante do setor de relações internacionais do Movimento. Fonte: Site MST

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