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O mendigo da Praça 9

Acorda, já são sete horas, vagabundo. Vai pra outro lugar, não fique aqui, você vai assustar a clientela.
Era esse o bom dia que o mendigo da Praça 9 recebia diariamente. Já não ligava mais, levava todo aquele insulto na normalidade. Mal sabia o senhor da padaria, que ele dormia em frente a seu comércio apenas para se esconder do tempo feio que fazia toda noite. Blusa verde dependurada no ombro esquerdo. Calça rasgada, sandália velha, barba e cabelos grandes, crespos e grisalhos. Cheirava mal, bebia muito, e não era água, era o que tivesse. E coube a ele conviver com a injustiça. Era o perfeito cidadão a quem caberia toda culpa de um ato que infligisse a lei. Andava pelas ruas como um mendigo feliz, estranho. Seu olhar não era triste, seu sorriso era de se espantar. Cumprimentava o seu José da sapataria, o Afonso da loja de doces, e quem passasse pela Praça 9, a sua morada há tantos anos. Chegou até ali sem saber o porquê. Não conheceu a sua família, que o abandonou ainda moleque. Mas, diferente dos colegas de rua, que conheceu por aí, não se envolveu com as drogas. Não por falta de opção, claro. Mas apenas porque não gostou: fazia mal. Inteligente. Aprendeu a ler e escrever nos cursos da Assistência Social. Assim, com a sua dificuldade particular, lia as notícias do dia nas sobras dos jornais rasgados, vindos da feira livre, ali perto. A feira, inclusive, era sua fonte de tudo: comidas, bebidas, sobras e gestos. Conhecia a delegacia como se fosse a sua casa, sempre era levado para lá confundido com bandidos que roubavam os comércios da Praça 9. Logo ele, morador assíduo do lugar. Mas a injustiça convivia com a sua vida como se fosse a sua sombra, já estava habituado e sabia que isso seria até o fim dos seus dias nas ruas. E olha que a cada dia, era uma luta para sobreviver. O mendigo da Praça 9 não era humano. Era um ser de outro mundo. Ninguém, nem sequer o sábio velho chinês – comerciante - entendia como a vida lhe oferecia nada e o mendigo ainda sorria tanto, como se tivesse tudo, como se a sua vida fosse uma novela. Mal sabiam, o velho chinês e quem olhava para o pedinte, ele era humano sim, o mais normal e culto da Praça 9, o dono de um coração apaixonado, por tudo: pela vida de pirata e de cigano, pelos sonhos de um banho e café quente, por uma existência justa e livre de qualquer tirania. A Praça 9 nunca mais foi a mesma depois que ele foi preso, munido com um sorriso no rosto, condenado pelo roubo da padaria, às 7 horas da manhã: vagabundo. (Fonte: Blog do Kallil Dib - www.kallil.com).

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